Curitiba

Albari RosaAMEAÇAProchnow: ‘‘O MST não vai esperar quieto: vamos mobilizar nossos
trabalhadores e pode sair coisa muito pior do que aconteceu até hoje’’Cerca de 200 trabalhadores sem-terra exigiram ontem, em reunião na sede do Incra em Curitiba, a abertura de uma nova negociação com a direção nacional do órgão, o governo do Paraná e o Ministério Público. ‘‘Queremos um programa emergencial que solucione o problema agrário até dezembro. Se os despejos continuarem, o melhor é voltar para as áreas ocupadas e preparar a resistência’’, disse o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Roberto Baggio.
A proposta foi uma reação do MST à desocupação da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Alvorada do Sul, determinada pelo governo do Estado no domingo. As lideranças do MST recusaram-se a iniciar a reunião com a superintendente estadual do Incra, Maria de Oliveira, sem a garantia de negociação, na qual querem a presença do governador Jaime Lerner.
‘‘Não adianta ficar aqui negociando enquanto o governo está caçando sem-terra’’, disse Baggio. Os líderes do MST alertaram para uma situação que consideram explosiva. ‘‘Se o governo acha que pode continuar fazendo despejos, o MST não vai esperar quieto: vamos mobilizar nossos trabalhadores e pode sair coisa muito pior do que aconteceu até hoje’’, afirmou Ireno Prochnow.
A superintendente do Incra interrompeu a reunião para tentar agendar o encontro proposto pelos sem-terra. Até o fechamento desta edição, não havia resposta do governo estadual.
Maria de Oliveira viaja hoje à noite para Brasília, onde vai pedir medidas para agilizar a reforma agrária no Paraná. A meta é assentar este ano 2.332 famílias, das quais 1.484 já foram assentadas. Na última sexta-feira o governo federal anunciou a desapropriação de nove áreas no Paraná (totalizando 25 este ano), mas a superintendente diz que é preciso apressar o processo.
Segundo ela, a instalação de uma delegacia do Incra em Londrina poderá contribuir para a agilização, na medida em que o delegado nomeado, Gilmar Viana, vai concentrar seu trabalho na resolução de conflitos agrários. ‘‘Hoje, metade da nossa capacidade operacional é gasta na mediação de conflitos, o que tira pessoal da vistoria de áreas’’, afirmou Maria.
Este ano, o Incra vistoriou no Paraná 80 áreas, das quais 32 foram indicadas para desapropriação. Outras 76 foram vistoriadas como parte do recadastramento que o órgão promove na região Noroeste. A superintendente disse que pretende anunciar dia 30 de setembro quantas dessas áreas são passíveis de desapropriação.

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