Um novo grupo de sem-terra entrou ontem de manhã na Fazenda Santa Maria, em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), aumentando para cerca de 60 as famílias que estão acampadas no local desde o dia 27 de fevereiro. A Polícia Militar, que está acompanhando a ação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região, não conseguiu evitar que este grupo entrasse na propriedade.
No final de semana, um grupo vindo da região de Cascavel foi impedido pela Polícia de chegar à fazenda. Os sem-terra avisam que outros grupos, vindos de várias partes do Estado, devem engrossar o acampamento nos próximos dias. ‘‘A nossa meta é chegar a aproximadamente 100 famílias, o que daria cerca de 6 alqueires para cada uma depois que o Incra nos assentar’’, assegurou um porta-voz dos acampados que se identificou somente como Toninho.
A Fazenda Santa Maria pertence à família de Amadeu Aguiar (já falecido). O imóvel foi a leilão para agilizar a divisão da herança de Aguiar. No dia seguinte ao leilão, os sem-terra invadiram a fazenda, procurando forçar o governo a negociar o imóvel para a reforma agrária. No local, que possui 1.189 hectares, há plantações de soja, milho e confinamento de mais de mil cabeças de gado.
‘‘A gente sabe que o leilão era privado. A gente quer é que o Incra inicie logo a compra da fazenda para fins de reforma agrária’’, comentou Toninho. Para ele, a comunidade de Jaguapitã ainda não tem conhecimento do que é o MST, mas garante que algumas pessoas já estão tendo curiosidade de saber como funciona um acampamento sem-terra. ‘‘Tanto que uma instituição esteve aqui com seus alunos para conhecer a realidade de quem quer a terra’’, ressaltou.
Ontem à tarde o clima era de aparente tranquilidade na fazenda. Os sem-terra, no entanto, não permitiram que a Folha entrasse no imóvel para conversar com as 15 famílias que trabalham para a empresa Santa Maria Agropecuária. ‘‘Eles têm livre acesso à fazenda e estão fazendo a colheita do milho e escoando a safra. Não queremos ficar com as plantações deles. Queremos, sim, que façam logo a colheita da soja para podermos plantar feijão’’, argumentou Toninho.
Dois funcionários, que não se identificaram com medo de represálias dos sem-terra, disseram que a situação é calma. ‘‘O nosso convívio está pacífico. Estamos fazendo a nossa lida no campo e não há nada que nos impeça de sair’’, garantiram.
O advogado da Santa Maria Agropecuária, José Nogueira Filho, disse ontem que já possui o interdito proibitório e a reintegração de posse da área. Ele espera que o juiz da vara cível de Jaguapitã envie nos próximos dias um ofício para o comando do 15º Batalhão da Polícia Militar em Rolândia, solicitando reforço policial para o cumprimento da reintegração de posse. O comandante do 15º BPM, major Rubens Guimarães, afirmou que está reestudando a estratégia para evitar que novas famílias tenham acesso à fazenda.

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