Arquivo FolhaRafael Greca:‘Requião usa
MST para fins
eleitoreiros’A participação do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, Roberto Baggio, no programa político do senador Roberto Requião (PMDB), que foi ao ar em cadeia estadual de rádio e TV na última segunda-feira à noite, irritou o governo do Paraná. O chefe da Casa Civil, Rafael Greca, disse ontem (em nome do governador Jaime Lerner, que está em viagem para a Europa): ‘‘O MST transformou-se num apêndice da campanha do senador Requião’’, ao participar do programa político e ameaçou endurecer nas negociações com o movimento.
Greca disse que Baggio ‘‘levantou a bola’’ de Requião - ao perguntar para o senador sua opinião sobre a reforma agrária e sobre um suposto crescimento do desemprego com a vinda das montadoras. Segundo o chefe da Casa Civil, a participação do MST no programa compromete o andamento das negociações com os sem-terra. ‘‘A atitude do MST tende a nos afastar.’’
O chefe da Casa Civil acusou o líder do MST de ser um ‘‘laranja’’ de Requião. ‘‘Por que é que o MST não falou do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, morto em Campo Bonito em 1993 e que até hoje não teve o seu assassinato apurado?’’, questionou Greca numa referência ao caso ‘‘Teixeirinha’’, que aguarda decisão da Justiça para ser reaberto. O senador Requião é acusado, como governador da época, de ter ordenado uso de força policial contra os sem-terra.
‘‘O Requião está usando o MST para fins eleitoreiros’’, disse Greca. Ele anunciou o cancelamento da reunião marcada para hoje entre MST, Incra e o governo do Estado. ‘‘Os líderes dos sem-terra não foram na audiência com o Incra que, na última sexta-feira, tentou fechar o cronograma de desocupações. Deviam estar preocupados com a maquiagem do programa do senador.’’
A Folha tentou contato com o líder do MST, Roberto Baggio, mas nenhuma das três ligações feitas à sede do Movimento, em Curitiba, foram retornadas.
A superintendente regional do Incra, Maria de Oliveira, e o assessor especial do governo para Assuntos Fundiários, José Carlos de Araújo Vieira, passam o dia hoje em Brasília discutindo áreas que podem ser disponibilizadas para o assentamento das cerca de 500 famílias que ocupam as sete fazendas do Noroeste e que terão de sair das áreas consideradas produtivas, nos próximos dias. ‘‘Estamos tentando agilizar os processos de desapropriação. Sairemos daqui com uma lista de áreas que serão oferecidas ao MST’’, prometeu Maria de Oliveira.

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