O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foram multados em R$ 992 mil pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por crime ambiental pela derrubada de florestas nativas em uma fazenda no município de São Pedro do Iguaçu (72 km a oeste de Cascavel). A Área dos Quatrocentos, com 480 hectares, onde estão instaladas famílias de sem-terra ligadas ao MST mas ainda sem titulação, continua de propriedade do Incra.
A aplicação das multas foi informada ontem pelo chefe regional do IAP em Guarapuva, Celso Araújo, após uma operação de campo que durou dois dias. Araújo comanda a fiscalização florestal volante, que atua em várias regiões, concentrando-se em acampamentos, assentamentos e outros locais onde ocorre derrubada ilegal de matas. As árvores geralmente são transformadas em tábuas em serrarias clandestinas para comercialização. Na Área dos Quatrocentos, a derrubada ocorreu indistintamente em toda a extensão, inclusive em 16 hectares de preservação permanente.
A multa para a pessoa jurídica do MST foi de R$ 702 mil, já que é ‘‘tutor’’ dos sem-terra. Ao Incra a multa foi de R$ 290 mil (o instituto ainda é o proprietário legal da área). Além da falta de licenciamento para qualquer atividade que interfira no meio ambiente, a floresta era nativa, com árvores antigas, ‘‘não passíveis de corte raso’’, explicou Araújo. Entre outras espécies derrubadas estavam ipê, cedro, marfim e canela, consideradas nobres na flora regional.
O MST e o Incra terão que discutir a aplicação das multas em processo que será iniciado após o inquérito policial, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais. Durante a semana, o IAP havia aplicado outros 11 autos de infração, com multas totais de R$ 300 mil, contra fazendeiros do Sudoeste do Estado, também por derrubada de florestas de preservação e corte das árvores em serrarias clandestinas. Antes, outras multas foram aplicadas ao MST e Incra em assentamentos provisórios na mesma região.
No Noroeste do Estado um tratorista foi preso ao ser flagrado desmatando uma área de preservação. Na Fazenda Santa Brasília, fiscais do IAP constataram que 18 alqueires haviam sido desmatados ilegalmente, incluindo as margens do Rio Ivaí.

mockup