MST diz que famílias são ameaçadas
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sexta-feira, 07 de novembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Arquivo FolhaProvocaçãoFazenda Nossa Senhora Aparecida: 50 famílias recebem ameaças de homens armados, segundo o MSTO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) denunciou ontem que cerca de 50 famílias de trabalhadores sem terra acampadas na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Londrina), estão sendo ameaçadas por homens armados contratados pelo proprietário da fazenda, José Roberto Rossato, de Sertanópolis. Ocupada desde 16 de julho, a fazenda já teve conflitos, quando homens armados atiraram contra o acampamento.
O coordenador regional do MST, Luiz Salles, informou que no acampamento há 32 crianças até 8 anos e que os seguranças da fazenda há várias noites têm dado tiros em direção aos sem-terra. Eles querem realizar ações violentas em que o resultado é imprevisível. Estamos na área e após o primeiro conflito não mexemos na propriedade. Estamos esperando que o Incra dê uma definição sobre a área, comentou. O Incra vistoriou a fazenda em abril e considerou as terras como improdutivas e passíveis de reforma agrária.
Nos últimos dias, os acampados têm denunciado intensos deslocamentos de pessoas armadas para a fazenda. Um dos seguranças afirmou que vão realizar uma ação semelhante à realizada em Santa Izabel do Ivaí e retirar os sem-terra à força, afirmou Salles. No dia 16 de setembro mais de 80 homens encapuzados expulsaram os sem-terra de uma fazenda e queimaram os barracos.
Salles disse que esta semana irá comunicar a polícia sobre os tiroteios. Já informamos o Incra e a assessoria do governo do Estado de Questão Fundiária para ver se eles agilizam logo o assentamento das famílias sem terra e a desapropriação da fazenda, uma vez que ela é improdutiva, ressaltou.
ReintegraçãoO proprietário da fazenda, José Roberto Rossato, conseguiu uma liminar de reintegração de posse da área, concedida pelo juiz de São Jerônimo da Serra, Gaspar Luiz Mattos de Araújo Filho, três dias após a invasão. O advogado dos sem-terra recorreu à liminar e apontou falhas no despacho do juiz. Entre elas citou a desconsideração ao ofício do Incra 689/97 informando sobre o interesse pela área e a falta do parecer do Ministério Público.
Na semana seguinte à ocupação, os sem-terra denunciaram os seguranças da fazenda de ter dado tiros contra o acampamento. Vários barracos ocupados por mulheres e crianças foram atingidos. A polícia foi chamada. No local foram encontrados diversos cartuchos de bala, mas até hoje ninguém foi preso ou intimado a dar explicações sobre o conflito.


