MST distribui leite em pó e sopão para famílias sem-terra
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quarta-feira, 20 de novembro de 1996
Célia Baroni 
Ontem o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) entregou mil latas de 400 gramas de leite em pó (400 quilos) e 230 latas de quatro quilos de sopão (920 quilos) às famílias acampadas em fazendas no distrito de Tamarana (zona sul) e nos municípios de Ortigueira e Ibiporã.
Mas a situação das 682 famílias continua precária. Só em Tamarana há 352 famílias acampadas. Os alimentos foram doados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Defesa Civil de Londrina, e devem ser suficientes apenas por 15 dias, na avaliação dos sem-terra.
Cada família vai receber uma lata e meia de leite em pó e 1,5 quilo de sopão. Pelos cálculos do MST, há pelo menos 1,5 mil crianças nos acampamentos. Tudo que vem é bem vindo. A solução, no entanto, é a agilização do assentamento para que as famílias possam começar a cultivar e se tornar auto-suficientes, afirma Josmar Choptian, do MST.
A expectativa do movimento é poder comemorar, ainda na semana que vem, a imissão de posse de pelo menos quatro das fazendas invadidas em distrito de Tamarana, que a partir de 1º de janeiro será transformado em município.
Segundo Choptian, no caso das fazendas Decolores e Tesouro, em Tamarana e Nossa Senhora Salete, em Ibiporã, o processo está em fase de conclusão. Ele explica que com a imissão de posse as famílias têm acesso ao crédito do Programa de Crédito Especial de reforma Agrária (Procera) - R$ 10.000,00 por família para investimento na produção.
Outros créditos também são colocados à disposição dos assentados para fins de fomento, habitação e outros. Os assentamentos trazem desenvolvimento para os municípios onde estão localizados. As famílias movimentam o comércio das cidades, aumentam a produção e geram empregos, afirma o líder do Movimento Sem-Terra.
Em Tamarana, dez fazendas já foram ocupadas e, segundo o MST, outras três propriedades foram oferecidas ao Incra para fins de reforma agrária, somando juntas quase três mil hectares. Na fazenda Pari Paró, de 75 alqueires, estão 23 famílias. Na Serraria, de 110 alqueires, são 20 famílias. A fazenda Pó de Serra tem 65 alqueires e recebeu 14 famílias. Na fazenda Mandassaia, de 220 alqueires, 30 famílias de sem terra aguardam a imissão de posse.
E há ainda 97 famílias na fazenda Água da Prata, de 700 alqueires e oito famílias na Colônia Penal, de 40 alqueires. Na fazenda Decolores, com 226 alqueires, são 26 famílias; na Tesouro, de 264 alqueires, 25 famílias; na São José, de 270 alqueires, estão 36 famílias.


