MST desloca mil pessoas para a fazenda reocupada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Marcos Zanatta 
O MST está deslocando mais famílias para a Fazenda Água Amarela, em Jardim Olinda. O movimento pretende colocar mais de mil pessoas na propriedade para evitar qualquer nova tentativa de desocupação.
No escritório do MST em Paranacity, a informação é que famílias cadastradas de toda a região estão sendo levadas para a Água Amarela. Um dos coordenadores do movimento na região, que não se identificou para a Folha, disse que, por enquanto, não estão chegando sem-terra de outras regiões. A intenção do MST é resistir a qualquer tentativa de desocupação por parte da polícia ou mesmo de jagunços.
A polícia desmente os sem-terra. Segundo o escrivão Alvaro Lepre Ribeiro, da delegacia de Paranacity, ônibus da Prefeitura de Sandovalina (SP) e de Querência do Norte, chegaram na área com mais famílias. Ele disse ter informações que o MST pretende colocar pelo menos 2 mil famílias na propriedade. O correto era fechar as rodovias de acesso à fazenda e impedir a chegada de mais famílias no local, afirma.
O coronel Gilberto Kummer, comandante do 8º Batalhão da PM em Paranavaí, afirma que dois ônibus transportando trabalhadores rurais sem-terra partiram do Rio Grande do Sul com destino à fazenda Água Amarela.
Segundo Kummer, o autor de um telefonema anônimo disse que o objetivo dos gaúchos seria engrossar o número de invasores da fazenda. Os sem-terra que voltaram à Água Amarela estão sendo observados a distância por duas patrulhas da Polícia Militar.
O MST alega que a questão da fazenda Água Amarela é política, já que a proprietária, Isabel Nasser, viúva do jornalista David Nasser, é amiga pessoal da primeira-dama Ruth Cardoso. O movimento está produzindo um vídeo para mostrar à Anistia Internacional que a propriedade é improdutiva, mantendo apenas uma cabeça de gado por hectare, contra a média normal de três por hectare.


