O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) recuou na determinação de acampar em frente ao Palácio Iguaçu caso não fossem libertados até ontem todos os líderes da entidade presos no Paraná. Depois da manifestação, parte dos sem-terra seguiu para um terrreno do Sindicato dos Telefônicos (Sintell), no Alto São Francisco, onde ficarão acampados por prazo ainda não definido. ‘‘Foi uma decisão política madura, que demonstra mais uma vez nossa boa vontade de negociar’’, disse Roberto Baggio, da coordenação do MST.
Segundo Baggio, a decisão não pode ser interpretada como um sinal de fraqueza diante da insistência com que o governo anunciou que não permitiria o acampamento no Centro Cívico. ‘‘O movimento tinha condições de radicalizar e fazer o acampamento em frente ao Palácio, mas preferiu a negociação’’, disse.
O terreno do Sintell foi uma opção intermediária entre o Centro Cívico e o Parque dos Tropeiros, oferecido pela prefeitura. O parque fica a 12 quilômetros do Palácio, enquanto o terreno escolhido fica a menos de dois quilômetros dali. A prefeitura garantiu a infra-estrutura no acampamento: água, luz, sanitários e alimentação.
Segundo Baggio, a intenção é manter cerca de mil sem-terra em Curitiba, enquanto prosseguem as negociações com governo do Estado e Incra. Na reunião de hoje no Palácio Iguaçu, o MST vai reafirmar as principais reivindicações: liberdade para os seis sem-terra que permanecem presos e revogação de três prisões preventivas ainda não cumpridas; e pressa na definição de áreas para assentar as 10 mil famílias acampadas no Paraná. ‘‘Até hoje o MTS foi quem mais cedeu. Agora queremos respostas do governo’’, disse Baggio.(L.A.K.)

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