MST denuncia governo por omissão
O economista João Pedro Stédile, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), participou ontem em Cascavel do primeiro dia do Encontro Nacional do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB). Stédile, que fez uma avaliação da conjuntura social e econômica do País, informou que o governo do Paraná será denunciado hoje ao Ministério da Justiça por omissão diante de conflitos fundiários no Estado.
O encontro, que prossegue até quinta-feira, é realizado na Fazenda Piquiri, onde estão assentadas famílias cujas terras foram desapropriadas para a formação do reservatório da hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu. Estão presentes representantes de entidades de atingidos por barragens de várias partes do País.
João Pedro Stédile abordou o comportamento dos movimentos populares em situações recentes, como nas eleições, e orientou posturas que devem ser assumidas diante da conjuntura nacional, extremamente grave, no plano social e econômico. Segundo ele, o governo brasileiro imporá sacrifícios à população para cumprir compromissos internacionais com o Fundo Monetário Internacional, e para implantar em definitivo o modelo econômico que assumiu.
Por isso, acrescentou, os movimentos populares deverão recrudescer suas lutas para forçar avanços, como na questão da reforma agrária. Segundo ele, a reforma só avança quando os lavradores ocupam terras, e não por decisão do governo. Stédile comentou os conflitos fundiários no País, e, no caso do Paraná, disse que a situação é uma vergonha, com mais de cem focos de muita tensão.
Segundo ele, a denúncia do governo paranaense ao Ministério da Justiça será feita pela Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa Humana, presidida pelo jornalista Carlos Chagas. O governo tem mantido postura de omissão diante do aumento dos conflitos, diz Stédile, e isso resultaria em violência contra os trabalhadores. Ele seguiu ontem à tarde a Brasília para acompanhar a formalização da denúncia.
EncontroO Encontro Nacional do MAB continua na manhã de hoje palestras dos professores Célio Bermann, da Universidade de São Paulo, e Carlos Vainer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Eles falarão sobre leis ambientais e posicionamento de movimentos populares diante de temas como as privatizações.
À tarde, falará Glenn Switkes, da entidade não governamental Rede Internacional de Rios. Amanhã, o MAB definirá ações para o próximo ano. Na quinta-feira, haverá relato de experiências dos participantes do encontro.Edson MazzettoOrganizaçãoJoão Pedro Stédile, líder dos sem-terra, participou de encontro nacional sobre atingidos por barragemPaulo Pegoraro





