MST culpa a falta de incentivo para os pequenos produtores
Israel Reinstein
O projeto de reforma agrária de Fernando Henrique Cardoso é considerado insuficiente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para o coordenador regional do movimento, Roberto Baggio, mesmo assentando um número maior de famílias, que os governos anteriores, a política econômica atual está expulsando um número maior de pequenos produtores de suas terras. Com a falta de incentivo para a agricultura familiar e a abertura sem controle das importações de matérias básicas, o setor agrícola não está conseguindo se capitalizar, avalia Baggio.
Segundo o coordenador, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assentou nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso 300 mil famílias. Comparando com os governos anteriores, que fizeram pouco pela reforma agrária, o atual atendeu um número maior de pessoas, afirmou. No entanto, o coordenador do MST aponta que no mesmo período 400 mil famílias de pequenos produtores deixaram a terra, formando um déficit de 100 mil. Atualmente, existem 550 mil famílias acampadas esperando ser assentadas.
Para Baggio, o problema agrário tende a piorar. O governo está no oitavo mes e apresenta sinais de ingovernabilidade, diz. Na avaliação dos sem-terra, o plano econômico está arruinado, demonstrando que não conta com apoio da população para continuar. Além disso, a base de sustentação política do governo estaria esgarçada. Cada vez mais vai aumentar a pressão de políticos oportunistas, pedindo favores para manter o apoio a FHC, diz.
Além disso, deverão ampliar a pressão popular durante o segundo semestre, estima. Entre os meses de agosto a outubro, marchas e protestos estão programadas para acontecer em Brasília. Tudo indica que a elite brasileira pode desviar o caminho, implantando o parlamentarismo ou destituíndo o presidente, afirma.
Baggio avalia que, mesmo com toda esta pressão, é pouco provável que o governo federal mude a política e a base de apoio. Ele está muito comprometido com acordos internos e o FMI. Por causa disso, o coordenador entende que o MST deve manter sua política de pressão. No Paraná, eles estão acampados em Curitiba há 74 dias, pedindo o assentamento de 9 mil famílias. Até o momento, eles conseguiram verbas para assentar 3,2 mil, número que foi considerado pequeno pelo movimento.





