MST critica ministro e secretário
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de setembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai exigir a demissão do ministro da Justiça, Íris Rezende, e do secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira. A afirmação foi feita anteontem à noite, em Foz do Iguaçu, por João Pedro Stédile, coordenador nacional do MST.
Segundo ele, Rezende teria ordenado uma escalada de repressão contra os sem-terra do Estado. Oliveira, de acordo com Stédile, cumpriu essa ordem. O líder do MST disse que, na semana passada, o ministro se reuniu com secretários estaduais de Segurança e determinou a prisão e o indiciamento dos líderes sem-terra no Paraná. Desde o início do mês, o Estado vem registrando conflitos entre sem-terra e fazendeiros.
O MST afirma ter obtido cópia de um documento interno da Secretaria de Segurança, assinado pelo chefe da Coordenação de Informações, Eli Ribas Silva, que ordena aos delegados das regiões de conflitos a prisão dos integrantes do movimento. Após a reunião de Oliveira com o ministro da Justiça, a polícia paranaense intensificou a prisão de líderes de invasões. Atualmente há 29 sem-terra presos no Paraná. O secretário admitiu a existência do documento, mas negou que ele interferiu nas prisões.
Stédile disse que Rezende e Oliveira são desqualificados para os cargos que ocupam. Ele anunciou que o MST está pedindo audiências com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), para cobrar explicações sobre as atitudes do ministro e do secretário. Essa política da violência contra os sem-terra é um descalabro, declarou.
Na opinião de Stédile, o ingresso de Lerner no PFL representou retrocesso no processo de reforma agrária desenvolvido no Paraná. As forças conservadoras do Estado viram nisso um sinal para fazer o que querem na defesa de seus interesses. Os fazendeiros se acharam no direito de armar pressão sobre o governo para que ele cumpra as vontades desse grupo. Stédile, que é economista, esteve em Foz do Iguaçu para dar palestra na abertura do 4º . Congresso Nacional do Sindicato dos Engenheiros, entidade ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores).


