MST começa a apresentar os suspeitos na terça
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Edmara Michetti 
As 20 pessoas suspeitas participação no assassinato do segurança José Lopes de Oliveira, o Django, começam a ser apresentadas à Polícia para depoimento na terça-feira. Esse foi o acordo feito ontem entre os advogados do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e o delegado do 4º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André, que preside as investigações. Ontem, o delegado pediu prorrogação, por mais 30 dias, do prazo para conclusão do inquérito sobre a morte de Django.
O segurança foi morto com um tiro, calibre 38, na cabeça, na casa do administrador da fazenda Borborema, em Tamarana (60 km ao sul de Londrina). O crime ocorreu no dia 27 de abril durante invasão da casa pelos sem-terra que acampavam na fazenda. Os 20 sem-terra que participaram do cerco ao local do crime foram identificadas através de imagens feitas por uma equipe de reportagem da TV Londrina. Os nomes estão sendo mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações. O confronto de imagens feitas antes e depois do crime, apresentado pelo Instituto de Criminalística, apontou cinco pessoas como principais suspeitos pelo tiro que matou Django.
Segundo o delegado, o acordo com os advogados foi de que duas pessoas sejam apresentadas por dia. A primeira deve estar terça-feira no 4º DP, às 15h30. Gonçalves afirmou ontem que essa ampliação do prazo não prejudica o andamento de seu trabalho. Ele não acredita que o pedido de adiamento seja uma forma de proteção dos responsáveis pelo crime. O objetivo comum é apurar o crime e a autoria. Desde que os acusados apareçam espontaneamente, o prazo maior não prejudica ninguém porque não há uma prisão preventiva, disse. Segundo Gonçalves, se o MST não respeitar o prazo, novas medidas serão tomadas (não esclareceu quais).
Segundo o coordenador estadual do MST, José Damasceno, integrantes do movimento devem iniciar hoje a identificação e localização das 20 pessoas apontadas pelo delegado. Para ajudar no trabalho, ontem os advogados ficaram com uma cópia das fotos anexadas ao inquérito policial. Eles também devem usar imagens feitas pela televisão. Damasceno afirma que o movimento não conhece todas as pessoas que estavam na fazenda quando aconteceu o crime.


