MST atribui o crime à UDR
Cerca de 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vindos de vários acampamentos e assentamentos do Paraná protestaram ontem, na comunidade rural de Bom Jesus, em Medianeira (60 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), contra o assassinato de Eduardo Anghinoni, irmão do líder sem-terra Celso Anghinoni. Segundo o MST, Eduardo foi o 11º integrante do movimento assassinado à bala desde 1996.
Eduardo, morto na segunda-feira em Querência do Norte (noroeste do Estado), foi sepultado às 10 horas de ontem, no cemitério da localidade. Durante o funeral, feito em um trecho de 500 metros da BR-277, um carro de som prestava as últimas homenagens do movimento, descrevendo a vida de luta da família Anghinoni, desde a imigração da Itália.
O cortejo durou meia hora, período em que a rodovia, provisoriamente interditada pela Polícia Rodoviária Federal, acumulou um congestionamento de três quilômetros. O irmão Celso, que não quis dar entrevista, segurava uma das alças do caixão e era o mais emocionado.
O sepultamento foi presenciado pelo deputado estadual Irineu Colombo, pelo prefeito de Medianeira, Luis Suzuke (ambos do PT) e pelo coordenador estadual do MST, Rogério Antonio Mauro. Responsabilizamos a União Democrática Ruralista (UDR), a omissão do governo Lerner e a impunidade patrocinada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, acusou Mauro, um dos mais indignados na cerimônia.
Segundo o líder, o MST estuda novas formas para melhorar a segurança de seus militantes. Ainda não definimos a melhor maneira. Mas não vamos nos armar até os dentes. Quem gosta de fazer isto é a UDR, disse.
O MST também pensa em pedir proteção policial para mais dois líderes que vivem no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte: Pedro Alves Cabral e Delfino Becker. A UDR está na ofensiva com o aval da impunidade, afirmou Mauro.
De acordo com o MST, nenhuma morte de sem-terra foi esclarecida pela Polícia Civil nos últimos três anos. E neste mesmo período, 130 integrantes do movimento foram presos, afirma Rogério Mauro.Ney de SouzaHomenagemDezenas de pessoas acompanharam o enterro de Eduardo Anghinoni em Medianeira, com protesto na BR-277Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





