MST ataca praças de pedágio na BR-277
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sábado, 28 de junho de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Um comboio de ônibus e carros levou pânico a quatro praças de pedágio da BR-277, uma das rodovias do Anel de Integração do Paraná. Segundo informações da Polícia Militar de Guarapuava e da assessoria de imprensa da Rodovia das Cataratas, concessionária que administra o trecho, um grupo de manifestantes portando bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quebrou cancelas, liberou o tráfego por alguns minutos em duas praças e apedrejou as cabines dos cobradores em uma delas.
O comboio seria, a princípio, formado por apenas dois ônibus, que teriam partido de São Miguel do Iguaçu (43 km a nordeste de Foz do Iguaçu), no final da tarde de sexta-feira, rumo a Curitiba. Segundo informações da concessionária, os manifestantes chegaram à praça de Céu Azul (51 km a oeste de Cascavel) por volta das 18h30. Eles quebraram as cancelas do pedágio e liberaram o tráfego no local por cerca de seis minutos.
Duas horas depois, reforçado por mais dois ônibus, o comboio teria chegado à praça da região de Cascavel, onde as cancelas teriam sido quebradas novamente e o tráfego novamente liberado. Na praça de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava), o tumulto foi maior. Segundo a assessoria da concessionária, por volta das 22 horas os manifestantes quebraram todas as cancelas e apedrejaram a estrutura do posto. Nesse momento, o comboio já seria formado por seis ônibus e oito carros.
Por fim, às 23h40, os manifestantes chegaram até à praça de Candói (76 km a oeste de Guarapuava), onde quebraram as cinco cancelas. Em todas as paradas, segundo a concessionária, os participantes do comboio agrediram verbalmente os funcionários dos postos de pedágio. Em Candói, ainda foi registrado um pequeno incidente por volta da 1h30 de ontem, quando uma Kombi e um Fiat Uno teriam passado pela praça sem pagar. Segundo testemunhas, os passageiros dos veículos estavam com bandeiras do MST.
Ontem pela manhã, a Rodovia das Cataratas iria registrar queixa pelos fatos. A concessionária administra 387 quilômetros da BR-277.
A Folha tentou contato ontem com lideranças do MST em todo o Estado mas os telefones não foram atendidos. Os recados deixados em caixa postal não foram retornados. Na sexta-feira à tarde, a Folha também tentou contato com o MST, sem obter retornos.
Campinas - O MST vem ganhando força juvenil ao encontrar, no meio universitário, simpatia para sua atuação. Prestes a completar 20 anos, em 2004, a segunda geração do MST encontra eco para suas aspirações e quer ampliar a discussão de sua condição de movimento social: o jovem acampado ou o já assentado sai do campo e vem para a cidade discutir as ocupações de terra e vice-versa. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) surgiu há 3 anos o Núcleo pela Reforma Agrária Carlos Marighella, que organiza encontros de debates e palestras entre universitários, integrantes do MST, diretórios e centros acadêmicos, além de sindicatos.


