O MST pretende manter apenas 200 pessoas a partir de hoje na Fazenda Saudade, de 1.020 hectares, ocupada pela quarta vez em dois anos pelos sem-terra. ‘‘Os demais companheiros partem de manhã com destino a Paranavaí, e a marcha vai depois até Curitiba’’, disse o líder do MST em Querência do Norte, Nildemar da Silva. Ele explica que as famílias que estavam no acampamento da Saudade serão apenas representadas na marcha, e outros sem-terra de Querência continuam na fazenda para fazer a segurança da área.
Os líderes do MST não acreditam que a polícia ou os ruralistas voltem a insistir na desocupação da área. Silva explica que a Saudade foi considerada improdutiva e desapropriada em março de 95. A primeira ocupação ocorreu em agosto do mesmo ano, e durou apenas algumas semanas até a reintegração de posse. As 200 famílias montaram o acampamento na frente da fazenda, nas margens da PR-218. Em novembro de 95, o DER conseguiu liminar para retirar os barracos, e as famílias voltaram para dentro da área.
A segunda desocupação aconteceu ainda em novembro, depois de um confronto com a Polícia Militar, que deixou 15 sem-terra e seis policiais feridos. As famílias foram para uma área da prefeitura, e em fevereiro do ano passado retomaram pela terceira vez a Saudade. No último dia 16 de setembro, depois de vários apelos à Justiça, os ruralistas da região retiraram as 45 famílias que estavam na área. Anteontem, com apoio de aproximadamente 400 sem-terra de Querência do Norte, as famílias voltaram para a Saudade.
Ontem a delegacia de Santa Isabel do Ivaí informou que até o início da tarde a proprietária, Deybi Mascarelo, não havia registrado nenhuma queixa. O registro é necessário para o pedido de reintegração de posse. O irmão dela, José Carlos Mascarelo, disse à Folha ontem que o processo de desapropriação da Saudade está sub judice.
Ele afirmou que os 15 funcionários da fazenda fugiram no momento da invasão, e que existem na propriedade um trator e cerca de 700 cabeças de gado pertencentes à família. Os líderes do MST adiantaram ontem que a partir de hoje começam a arar a terra para o plantio de mandioca.

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