Curitiba
O MST ameaça ocupar a Fazenda Santo Antônio, em Teixeira Soares (Oeste do Paraná), se a desapropriação não for feita até o dia 7 de novembro. Faz seis meses que cerca de 280 famílias estão acampadas perto da área, que tem 1.581 hectares. ‘‘Já esperamos demais’’, desabafou o líder do acampamento, Célio Rodrigues, que participou ontem da reunião no Incra, em Curitiba.
Rodrigues lembrou que os sem-terra acertaram a ocupação da propriedade há dois meses e através do diálogo. ‘‘Como trata-se de área improdutiva, nós assinamos um acordo com representantes do governo e a proprietária da fazenda para que as famílias pudessem entrar em 20 dias’’, disse o líder dos acampados. ‘‘Mas os jagunços não deixam a gente passar’’, completou.
Segundo Rodrigues, 40 pistoleiros supostamente contratados por arrendatários estariam vigiando a fazenda. ‘‘Se houver mortes nessa ocupação, vamos responsabilizar o Incra e o governo do Estado’’, disse. O líder dos acampados também aproveitou a presença do assessor estadual de Assuntos Fundiários, José Carlos de Araújo Vieira, para cobrar o desarmamento imediato dos jagunços.
O tom utilizado na advertência dos sem-terra irritou a superintendente regional do Incra, Maria de Oliveira. ‘‘O decreto de desapropriação da área vai para Brasília na próxima quinta-feira, dia 30’’, rebateu. De acordo com ela, o decreto deve estar na mesa do ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, no dia seguinte. A rapidez da desapropriação, segundo ela, ‘‘vai depender apenas da disponibilidade do ministro e do presidente Fernando Henrique Cardoso’’.
Para Maria de Oliveira, é bem provável que a Fazenda Santo Antônio seja desapropriada dentro do prazo previsto para a ocupação. Outro impasse está no número de famílias a serem assentadas naquela área. O Incra propõe assentar 70, mas há aproximadamente 280 acampadas.

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