M.S.O., 20 anos:
‘Dinheiro muda a
cabeça das pessoas’
Para M.S.O., 20 anos, uma estudante de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), falar sobre os dekasseguis significa abrir uma ferida. Ela não contém as lágrimas quando inicia uma conversa sobre o assunto.
A estudante afirma que para ela, o trabalho no Japão significou a ‘‘perda’’ do pai. Ele se separou de sua mãe em 1991 e, aos pouco, também foi cortando totalmente a comunicação com a estudante e com o irmão dela.
M.S.O. ainda localizou o pai e morou com ele no Japão durante alguns meses. Mas ele cortou a comunicação com a família depois que ela voltou para o Brasil.
A estudante diz que não consegue entender como o trabalho e o dinheiro que se ganha no Japão podem mudar tanto as pessoas.
‘‘Não posso entender o que pode estar passando pela cabeça dele. Só sei dizer que isso é algo muito triste. Ele foi para o Japão quando eu tinha 10 anos. Eu era uma criança e não entendia nada dessas coisas. Isso, infelizmente, fez com que a gente perdesse essa referência de pai.’’
A estudante entende que a quebra do vínculo familiar tem causa econômica: ‘‘Talvez ele pense que mantendo a comunicação fosse obrigado a nos enviar mesada. Isso é uma absurdo. Tudo o que a gente queria era ter um relacionamento com ele. Mas esse contato entre pai e filho parece que perdeu o sentido para ele’’, lamenta M.S.O.
Ricardo Cardoso Mizokami, 20 anos, tem o pai no Japão há seis anos. Apesar de conversar com ele pelo uma vez por mês, por telefone, diz que é difícil conviver com a saudade provocada pela distância.
‘‘Sei que ele trabalha duro lá para proporcionar melhor condição de vida para nós aqui, mas não é fácil essa ausência’’, recela o jovem. (E.A.)

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