MS está retendo recursos da CPMF
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Ana Cristina Pereira 
Da Sucursal
Arquivo FolhaJosé Francisco Schiavon, da Fehospar: ministro deve cumprir o que prometeuApesar de a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) ter entrado em vigor há quase 45 dias, hospitais particulares, públicos e filantrópicos credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não receberam um centavo dos recursos arrecadados. A denúncia é do presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Estado do Paraná, José Francisco Schiavon.
Segundo ele, o ministro da Saúde, Carlos de Albuquerque, tinha garantido que os recursos da CPMF seriam repassados aos hospitais depois de um mês de vigência do imposto. O governo está retendo os recursos. Queremos que o ministro cumpra a palavra, protesta.
A reclamação dos hospitais refere-se ao pagamento do abono de 25% da tabela do SUS que está atrasado desde maio do ano passado. O abono começou a ser pago em julho de 1995 e depois foi interrompido.
O secretário executivo do Ministério da Saúde, Barjas Neri, garantiu que o pagamento do abono referente a janeiro deste ano deve ser pago segunda-feira. Já os abonos atrasados dependem de liberação do Ministério da Fazenda.
Desde que entrou em vigor, já foram arrecadados com a CPMF cerca de R$ 600 milhões. O ministério tem uma dívida de R$ 2,4 bilhões com o SUS. Deveriam ser repassados por mês aos hospitais credenciados ao SUS no Brasil R$ 142 milhões para pagar o reajuste de 25% na tabela. Nos 11 meses de vigência da CPMF, a arrecadação prevista é de R$ 4,6 bilhões.
De acordo com a Fehospar, a dívida do SUS com os hospitais é de cerca de R$ 90 milhões. É uma grande soma que deixa de de circular na economia do Estado e tende a agravar a situação financeira dos hospitais e ameaça estabelecer de vez o caos no setor da saúde, diz.
IPEO Instituto de Previdência do Estado (IPE) pagou ontem aos hospitais, clínicas e laboratórios credenciados do Paraná uma parcela de cerca de R$ 5 milhões referente aos débitos acumulados em outubro e novembro. Dia 5 de abril está previsto o pagamento de mais R$ 5 milhões da dívida de dezembro e janeiro.
No dia 10 de fevereiro, venceu a pagamento dos serviços prestados em dezembro, diz o gerente financeiro do IPE, Claudio José Rodrigues.


