O Ministério da Saúde dobrou o número de coquetéis com medicamentos anti-retrovirais usados em pacientes com Aids. Com a medida, o ministério repassará ao Paraná 693 tratamentos de inibidores de protease, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Até o ano passado, a cota mensal era de cerca de 350 tratamentos, para número idêntico de pacientes.
O aumento no número de tratamentos foi decidido em reunião realizada anteontem em Brasília entre o coordenador do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer, e as coordenações estaduais de DST/Aids. A decisão foi tomada em consequência do crescimento no número de casos registrados.
O número de pacientes com Aids notificados até dezembro superou em 38,9% as expectativas do Ministério da Saúde, passando de 36 mil para 50 mil no País. Conforme avaliação do ministério, alguns critérios para o uso dos anti-retrovirais não estão sendo respeitados. São comuns os casos de pacientes que pegam medicamentos em dois locais com receitas diferentes, fazendo um estoque pessoal. Muitos que faziam tratamento particular também passaram a procurar a rede pública, onde o coquetel é distribuído gratuitamente.
O Ministério da Saúde reconhece que, diante da entrada de pacientes vindos da rede privada, até então não notificados, há necessidade de revisar as estimativas utilizadas.
Para receber gratuitamente o coquetel de anti-retrovirais o doente tem de apresentar resistência abaixo de cem, comprovada pelo exame CD4, que mede a imunidade. Pacientes com imunidade entre cem e 500 recebem terapia dupla (AZT mais ddI ou ddC ou 3TC).
Os coquetéis estão sendo distribuídos gratuitamente pela secretaria nas 22 regionais de saúde. Além dos 350 coquetéis enviados pelo ministério, a secretaria trata mais 240 pacientes. Neste caso, os medicamentos são adquiridos com recursos da secretaria. Com o aumento, cerca de 1.040 dos 1.237 doentes de Aids poderão receber o coquetel no Paraná.

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