O bibliotecário do Instituto Roberto Miranda (antigo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para os Cegos), Júnior César Alonso, de Londrina, tem deficiência visual total. Para usar a internet ele recorre a um software que converte o texto escrito em sons. No entanto, a tarefa nem sempre é fácil. "Muitos sites possuem imagens que o software não consegue ler e os assuntos não estão agregados de uma maneira que seja muito fácil."
Pensando nessas dificuldades das pessoas com deficiência, o Ministério Público do Trabalho do ES desenvolveu um site chamado PDC Legal. O primeiro material disponibilizado é a cartilha "Ministério Público do Trabalho e os Direitos dos Trabalhadores".
Estruturada em 170 itens divididos em 38 tópicos, a cartilha apresenta, em linguagem simples e direta, os principais direitos trabalhistas. O material está disponível no site http://www.pcdlegal.com.br/cartilhampt/index.php. Além de apresentar o conteúdo em português e em Libras, o PDC Legal possibilita o acesso aos deficientes visuais que usam leitor de código HTML, que permite transformar o texto escrito em áudio. Aquelas pessoas com baixa visão que não conseguem fazer a leitura mesmo com as letras ampliadas podem acessar o conteúdo em áudio.
Uma das pessoas que esteve à frente no projeto foi o procurador Djailson Martins Rocha, da 17ª Procuradoria Regional do Trabalho (ES), que já atuou em Londrina. Ele explicou que o conteúdo do site é acessível para os deficientes, que podem dispensar a presença de intermediários.
O procurador cita como exemplo o caso de um deficiente auditivo que foi informado erroneamente por um intérprete de Libras, no local de trabalho, que só poderia ir ao banheiro antes e depois do serviço. Rocha afirmou que, tendo acesso ao site, o trabalhador já saberia quais são seus direitos.
Rocha destacou que o site foi desenvolvido em parceria com pessoas com deficiência, já que existem muitas iniciativas elaborados por pessoas que não têm conhecimento das dificuldades cotidianas que esse público enfrenta. Ele exemplificou a necessidade de se colocar o material em libras, mesmo para quem consegue ler. "Muitas pessoas com deficiência auditiva foram alfabetizadas com a linguagem de sinais e para elas é mais fácil interpretar esses sinais do que ler", explicou. O site é custeado por empresas que descumpriram a legislação trabalhista e foram penalizadas com a obrigação de desenvolver o PDC Legal.
O projeto recebeu neste mês a menção honrosa de uma comissão julgadora do Prêmio CNMP, do Conselho Nacional do Ministério Público. O procurador afirmou que a intenção é de que o projeto se amplie, incluindo outras publicações, como a Constituição Federal Brasileira.

Aprovação
A professora de Libras da Unopar, Elenita Freitas, que também atua como intérprete e como vice-coordenadora da Pastoral dos Surdos da Arquidiocese de Londrina, avaliou o site, a pedido da FOLHA. "Achei bom, de fácil acesso e pode garantir a eficácia de seu entendimento."
O intérprete Marcio Ferri Dutra, do Colégio Estadual do Instituto Londrinense de Educação de Surdos, também aprovou o material. Ele destacou que já conhecia e já tinha divulgado o material nas redes sociais. "Este material é muito bom; ele está bem claro, contemplando as necessidades dos surdos e cegos", avaliou.
O bibliotecário também aprovou o site. "Não tem como ficar sem informação, já que o site permite adaptação do corpo da letra em vários formatos e ainda tem acesso pelo áudio", elogiou.

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