MP vai se instalar em prédio histórico
Especial para a Folha
Um dos prédios mais antigos de Curitiba está sendo restaurado e voltará a enfeitar o centro da cidade até setembro. A restauração da sede do Ministério Público, construída em 1902, está sendo possível através de um decreto municipal que transformou o prédio em Unidade de Interesse Especial de Preservação (UIEP).
O imóvel, que fica na Avenida Marechal Floriano Peixoto, esquina com Avenida Iguaçu tem 4,8 mil metros quadrados e foi comprado pelo Governo do Estado, ainda durante a construção, para abrigar repartições públicas que estavam mal instaladas em imóveis alugados. Quando o governo adquiriu o prédio só havia as paredes externas e a cobertura. Lá funcionaram as secretaria de Obras Públicas, Interior e Justiça, o Superior Tribunal de Justiça, a Repartição Central da Polícia, o Fórum, a Junta Comercial e a Diretoria de Higiene.
Cada setor reformou as salas do seu modo e por diversas vezes, o que transformava a cara do prédio de tempos em tempos. Por isso, tivemos que escolher uma época na qual nos baseamos para fazer o projeto de restauro, senão estaríamos somente realizando mais uma transformação, conta a arquiteta Juçara Valentin, que faz parte da equipe responsável pelo projeto.
Em 1997, quando foram feitos os primeiros estudos de restauração, os arquitetos encontraram paredes descascadas, pisos antigos cobertos por carpet e divisórias que escondiam a riqueza arquitetônica e a memória do edifício. Durante as obras, iniciadas em janeiro deste ano, os operários descobriram que em diversas salas os forros foram rebaixados e por cima existiam até três estruturas encobertas. Todos foram retirados e o pé direito voltou a ter 4,3 metros de altura. Outra riqueza arquitetônica encontrada foram paredes com pinturas decorativas, com elementos florais e gregos.
Há dois anos o imóvel foi considerado uma UIEP, o que possibilitou a transferência de potencial construtivo para outros prédios. Assim, cotas de construção foram vendidas para empresas, o que gerou uma arrecadação suficiente para cobrir a reforma, orçada em R$ 1,48 milhão. Pela Lei Municipal que criou as Unidades de Interesse Especial de Preservação, o dinheiro arrecadado deve ser destinado à recuperação de edificações históricos. A intenção é preservar imóveis que tendem a sumir com o crescimento da cidade, explica Milna Leone, arquiteta do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), um dos órgãos que decide quais imóveis serão de interesse de preservação no município.
As janelas e portas da fachada foram recuperadas, assim como a escadaria principal. Portas de vidro e corrimões de ferro galvanizado darão um ar de modernidade ao antigo edifício e as salas não terão divisórias, para que o ambiente clássico seja preservado. Depois de pronto será novamente ocupado pelo Ministério Público. Os funcionários que lá trabalharão, vão receber um manual de como preservar o prédio. Entre as dicas estão a de não colocar papéis e nem quadros na parede. Os móveis não devem ser encostados nas paredes ou arrastados para evitar danos ao piso.





