James Alberti
De Curitiba
O Ministério Público deve pedir ainda hoje a prisão preventiva do guardião Antônio Martins Vidal, o ‘‘Tico’’, sob acusação de ter ‘encomendado’ a morte do empresário Miguel Siqueira Donha, 51 anos, diretor da Corretora Banestado de Seguros e presidente do diretório do PPS de Almirante Tamandaré. Vidal teria contratado Edson Faria, 19 anos, para ‘‘assustar’’ Donha, que recebeu um tiro no joelho e morreu por causa de uma hemorragia. O empresário foi sequestrado no dia 22 de janeiro, em Almirante Tamandaré, mas foi baleado na Rodovia dos Minérios, em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba.
O coordenador da Promotoria de Investigação Criminal (PIC), Dartagnan Abilhôa, disse ontem ao repórter da Rádio CBN, Jurandir Ambonatti, ter orientado o promotor de Rio Branco do Sul, onde tramita o processo, a pedir a prisão de Vidal. O Ministério Público quer descobrir os mandantes do crime, uma vez que Vidal não teria condições financeiras de contratar Faria. Dias antes de ser morto, Donha articulava uma frente de esquerda para concorrer a prefeitura municipal.
O crime obteve repercussão nacional, com a interferência do ministro da Justiça, José Carlos Dias. Autoridades, políticos nacionais e locais e a família de Donha não acreditam na primeira versão da Delegacia de Homicídios, que investiga o caso, de que o crime tenha sido um latrocínio (assalto seguido de morte).
Ontem a PIC recebeu da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados um pedido de informações sobre as investigações do assassinato. ‘‘Por ser um caso extremamente grave e com indícios de crime político (...), resolvemos acompanhar todas as fases de investigações com a finalidade de contribuir para a rápida elucidação do referido crime’’, escreveu o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), presidente da comissão.
Os deputados querem informações sobre as provas obtidas, promotores e delegados designados para o caso e se foi concedida proteção policial aos réus confessos. Miranda pede ainda uma cópia do inquérito. O documento foi entregue à PIC pelo presidente do PPS em Curitiba, Amadeu Luiz Geara. ‘‘É claro que o tiro no joelho era de encomenda política’’, disse Geara. Para comprovar isto, afirmou, basta pedir a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos no caso.

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