A Promotoria do Meio Ambiente do Paraná vai solicitar informações às Regionais de Saúde sobre as notificações de intoxicação com agrotóxicos para apurar o grau de responsabilidade, principalmente em casos que resultam em mortes. Segundo o promotor Saint Clair Honorato Santos, que participou ontem, em Maringá, do Seminário de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, o Ministério Público pretende desenvolver este novo tipo de trabalho para tentar reduzir as ocorrências e investigar responsáveis pela venda indiscriminada deste tipo de produto.
O Paraná registra uma média de 600 casos de intoxicação por ano – 10% evoluem para a morte. A bióloga Giselia Rubio, da Secretaria Estadual de Saúde diz que este número é muito maior e não aparece nos registros das Regionais de Saúde e dos centros de intoxicações ligados às universidades por causa da subnotificação, provocada pela falta de preparo dos profissionais da saúde.
Segundo Giselia, 33% dos casos registrados são causados por agrotóxicos e medicamentos. Conforme a Secretaria de Saúde, 53% dos acidentes envolvem agricultores e outros 12% menores de idade. Os casos de intoxicação de crianças por agrotóxicos são os que mais preocupam a Saúde pelo fato de o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente não permitir que menores de 16 anos tenham contato com substâncias tóxicas.
‘‘Esses 12% infelizmente representam o trabalho infantil nas lavouras e a falta de locais adequados para o armazenamento dos produtos’’, ressalta a bióloga da Secretaria de Saúde. A reutilização de embalagens também está na lista das causas de acidentes envolvendo crianças.
Outro dado que preocupa a Saúde é o fato de que 90% das 205 mortes registradas entre 1997 e 1999 são suicídios provocados pelo uso de agrotóxicos. Segundo Giselia, pesquisas indicam que a exposição constante ao grupo de organofosforado, presente nos produtos agrícolas, pode levar a pessoa a um estado depressivo e, consequentemente, ao suicídio.
Para Saint Clair Santos, responsável pela Promotoria do Meio Ambiente, é necessário um trabalho efetivo para evitar a venda ‘‘inescrupulosa’’ e a falta de orientação e de assistência técnica no uso de agrotóxicos.

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