MP vai apurar agressões no Ciaadi
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O juiz da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Ademir Ribeiro Richter,
vai encaminhar ao Ministério Público o relatório sobre o princípio de rebelião ocorrido no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) na noite da última segunda-feira. Ele recebeu ontem o documento preparado por organismos de defesa dos direitos humanos que acusam excessos por parte do Pelotão de Choque da Polícia Militar e omissão da coordenação do órgão. As entidades cogitaram a substituição da atual chefia do Ciaadi.
A coordenação do Ciaadi relatou ontem a ocorrência à Delegacia do Adolescente e os primeiros menores infratores de um grupo aproximado de 20 que teriam sido agredidos pelos policiais foram encaminhados para exame de lesões corporais no Instituto Médico-Legal (IML). A mãe de um interno esteve ontem no Fórum para pedir um habeas corpus preventivo. Ela temia sofrer represálias por parte dos policiais depois de ter reconhecido o filho pela TV como um dos menores que teriam sido agredidos.
A vereadora Márcia Lopes (PT), integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, disse que a direção do Ciaadi foi omissa pela demora em comunicar os fatos posteriores ao tumulto ao Juizado e à Promotoria da Vara da Infância e Juventude. Ela cobrou a instalação de uma Vara específica para atender o Ciaadi, como preconiza o Estatudo da Criança e do Adolescente. O presidente do Centro dos Direitos Humanos de Londrina, Gelson Gil, disse que teria havido abuso por parte da PM e negligência da coordenação do Ciaadi.
O coordenador do Ciaadi, Márcio Filla, observou que os menores estavam armados e agressivos. O tumulto ocorreu, segundo ele, porque eles queriam alimentação diferenciada para o Natal e Ano Novo. Ele rebateu a acusação de omissão e afirmou que o caso foi relatado ao Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), que deverá apurar os fatos. Sobre a possibilidade de troca da atual direção, ele respondeu: ''Essas entidades têm o direito de pedir a troca''. Mas lembrou que atua há 23 anos como defensor de crianças e adolescente e que ''nunca compactuou com a violência''. O secretário estadual de Emprego, Cidadania e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, chegou no final da tarde à Londrina para discutir a questão com Filla.
O comandante do Pelotão de Choque, tenente Rogério Martins Ribeiro, visitou o Ciaadi pela manhã. Ele considerou a ação legítima mas determinou a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias que ocorreram as lesões nos internos.


