Luciana Pombo
De Curitiba
O presidente do Diretório Municipal do PPS, Amadeu Geara, questionou ontem a investigação da Polícia Civil sobre a morte do diretor da Corretora de Seguros do Banestado e presidente do diretório do PPS em Almirante Tamandaré, Miguel Siqueira Donha, de 51 anos. ‘‘Há claramente a intenção de abafar o assassinato dele. Se não parte da Delegacia de Homicídios, ela é conivente’’, afirmou ele.
Donha foi assassinado na madrugada do dia 22 de janeiro, por dois homens armados que já foram identificados pela polícia, mas ainda estão foragidos. Ele e a esposa, Iara Donha, foram rendidos na entrada da chácara do casal, em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba. Os dois assaltantes teriam mantido o casal como refém. Durante a viagem, eles telefones públicos por duas vezes. Iara foi liberada antes do marido, que foi deixado em Itaperuçu, também na região metropolitana, e levou um tiro na altura do joelho. ‘‘Eles não tiveram a intenção de matar. Quiseram apenas dar um susto. Por isto o tiro na perna’’, concluiu Geara.
Até agora, a Delegacia de Homicídios conseguiu prender o casal que morava na residência para onde um dos telefonemas foi dado. Antônio Martins Vidal, de 47 anos, e Tereza da Silva, de 34 anos, são acusados de terem encomendado o assalto. Eles foram presos e autuados em flagrante por receptação. Tereza já foi liberada com o pagamento de fiança. ‘‘Isto é uma piada. O crime não foi por latrocínio, parece claro isto. Ninguém rouba apenas por R$ 60,00’’, declarou ele, lembrando que nada foi tirado do carro e que os assaltantes nem tentaram entrar na casa de Donha para levar jóias ou produtos de valor.
Para Amadeu Geara, que é o advogado da viúva, o crime tem conotação política. ‘‘Ele incomodava muito. Tinha organizado uma grande frente de oposição à Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré e seria candidato nas próximas eleições’’, contou ele, negando que esteja querendo vincular a morte de Donha à prefeitura. ‘‘Não sei quem foi ou quem encomendou isto. Nem sei o porquê, mas a polícia tem que agilizar a investigação’’, disse.
O PPS já pediu o apoio do Ministério Público para auxiliar e acompanhar as investigações. ‘‘Só irei ficar tranquilo quando o Ministério Público entrar nas investigações’’, declarou Geara.
O procurador geral da Justiça, Gilberto Giacóia, disse ontem que o Ministério Público deverá indicar nas próximas horas um promotor para acompanhar o caso. ‘‘Num primeiro momento vamos acompanhar a investigação que foi instaurada pela polícia. Se houver necessidade, requisitaremos uma investigação paralela através da Promotoria de Investigações Criminais’’, afirmou Giacóia.

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