O Ministério Público (MP) solicitou ao Poder Judiciário a manutenção da paralisação das obras no viaduto da PR-445 com a Avenida Dez de Dezembro, em Londrina. A decisão foi tomada diante da falta de dados sobre os cálculos feitos para a construção. Uma comissão do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) já havia solicitado documentos para análise, mas os dados não foram entregues até a manhã de ontem, quando foi realizada uma reunião na sede da entidade justamente para que todas as dúvidas em relação ao projeto de duplicação da rodovia fossem sanadas. A obra no viaduto está parada desde o dia 9 de fevereiro, quando o juiz Oswaldo Taque, a pedido do promotor Paulo Tavares, determinou a interdição da obra.
Uma das questões técnicas discutidas durante a reunião de ontem foi o reforço na fundação da obra. Um dos projetistas da estrutura, o engenheiro Hélio Vieira, da Trama Sociedade Civil Estruturas, destacou que o reforço foi executado porque o viaduto possui três vãos apoiados em três pilares e que, por sua vez, estão sobre blocos de fundação suportados por estacas. "Essas estacas têm em torno de 15 e 18 metros de profundidade. Com a execução do muro de contenção, houve uma deformação bastante grande, em torno de 35 centímetros. Essa deformação fez o muro se apoiar sobre o bloco de fundação", detalhou. "Essas estacas que estavam previstas para suportar em torno de 120 toneladas cada, chegaram a atingir mais de 250 toneladas. Nesse momento, a construtora agiu rapidamente com responsabilidade e iniciou imediatamente um reforço no muro de contenção", alegou.
Técnicas utilizadas na construção também foram alvo de questionamentos. Viktor Baras, da Baras Engenharia Geotécnica, relatou que a empresa foi contratada para fazer atualizações do projeto pela EngeFoto, responsável pela proposta inicial do viaduto. Segundo ele, o questionamento de que o muro de gravidade de terra armada é obsoleto não procede. "É uma técnica antiga e barata, mas não obsoleta. A terra armada resiste até determinados esforços e, quando colocada em camadas como se fosse uma lasanha, funciona como um muro de peso", garantiu.
O professor da Universidade Estadual de Londrina e especialista em Geotecnia, Carlos José da Costa Branco, foi um dos membros da comissão do Ceal que analisou as obras do viaduto e apontou possíveis inconsistências na execução do projeto. "O muro de contenção é um corpo estreito como se houvesse dois muros de gravidade interligados entre si pelo reforço, coisa que o muro de gravidade projetado no viaduto não possui. São dois muros separados e, conceitualmente, o comportamento é bem diferente", afirmou Costa Branco. Ele explicou que a análise é conceitual porque a comissão do Ceal não recebeu o memorial de cálculo da obra. A análise de fato só poderia ser feita com base nesses dados.
O Ministério Público estabeleceu prazo de 24 horas para que a empreiteira responsável pela obra e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) entreguem o memorial de cálculo referente ao viaduto. Após o prazo, o documento será repassado aos representantes do Ceal que terão 48 horas para avaliar as informações.

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