Lucilia Okamura
De Londrina
O Ministério Público (MP) requisitou ontem a instauração de inquérito policial para apurar supostas irregularidades na empresa Gomes & Amâncio, de Londrina. O promotor de Investigação Criminal (PIC), Cláudio Esteves, tomou esta providência ontem à tarde, depois que os responsáveis pela empresa não compareceram para depor pela segunda vez.
A Gomes & Amâncio é uma das empresas investigadas pelos promotores Cláudio Esteves e Bruno Galatti (de Defesa do Patrimônio Público) por suspeita de irregularidades junto à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). A empresa participou, segundo documentos da companhia apreendidos pelas promotorias, de 19 licitações para executar trabalhos de engenharia e meio ambiente, tendo vencido 10. Pelos contratos, a empresa teria ganhado cerca de R$ 1,4 milhão. O MP não encontrou provas de que os serviços tenham sido realizados.
De acordo com os processos licitatórios obtidos junto à Comurb, os responsáveis pela empresa são o mestre-de-obras Sebastião Gomes da Costa, João Gomes da Costa e Rosalina Amâncio Carvalho Costa. Na semana passada, eles haviam sido notificados pelo MP para prestar depoimento como testemunhas, mas não compareceram.
Ontem, eles foram notificados novamente e enviaram requerimentos à Promotoria alegando que a empresa foi exposta publicamente pela imprensa e, por isso, está sofrendo abalo público. Por isso, eles disseram que iriam prestar depoimento somente em juízo.
Os pedidos não foram deferidos e Esteves designou nova data para audiência. Desta vez, segundo o promotor, eles serão ouvidos na condição de investigados. Ele decidiu ainda requisitar inquérito junto ao 4º Distrito Policial (DP), na zona sul. Naquele distrito já estão correndo sete inquéritos referentes à Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e outros 14 sobre a Comurb.
O promotor disse estranhar o fato dos três terem citado os órgãos de comunicação porque o MP não tem divulgado datas das audiências justamente para evitar a pressão sobre as pessoas notificadas. Ele informou que conversou com o advogado da empresa ontem e reafirmou que os jornalistas não participariam da audiência e nem teriam acesso aos depoimentos.
A Folha esteve novamente na empresa, um barracão e um pequeno escritório localizados na Avenida Europa (zona sul), e encontrou Rosalina Costa. Ela disse que o assunto só pode ser discutido por Sebastião e João Gomes da Costa, que estariam fora da cidade desde a semana passada. ‘‘Eles já tinham programado essa viagem para fazer uns serviços’’, afirmou.
Rosalina Costa confirmou que é sócia da Gomes & Amâncio, mas afirmou que somente emprestou o nome. ‘‘Eu não mando nada, não assino nada e não participo de nada’’, ressaltou.

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