O Ministério Público (MP) do Paraná, e em especial os nove promotores de Justiça da Comarca de Cascavel, consideram inaceitável a ‘‘pressão’’ que estaria havendo para que desocupem o prédio do antigo Fórum. Eles ainda ocupam parte do antigo prédio porque não há condições para que se mudem para o novo. O prédio antigo é reivindicado pela comunidade escolar do vizinho Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira. Segundo nota distribuída pelo MP, a ‘‘pressão’’ estaria sendo feita inclusive através de ‘‘meios de comunicação, principalmente da região’’, que estariam ‘‘mobilizando e influenciando parcela da opinião pública’’.
O caso envolvendo o prédio gera polêmica desde o início do ano passado, quando o Tribunal de Justiça (TJ) anunciou a compra de um novo edifício para o Fórum. Imediatamente, a direção da escola, com três mil alunos, passou a reivindicar as instalações, abrindo novas salas de aula que permitiriam eliminar as turmas de 60 alunos. O pedido da escola teve acolhida no governo do Estado ainda em junho de 98, quando a direção foi informada de que faltava apenas a mudança para o novo Fórum.
Em dezembro, o novo edifício foi inaugurado, mas para ele só se transferiram os juízes, porque as salas para os promotores não foram repartidas e equipadas. A licitação para isso ainda está sendo realizada pelo MP, e o custo estimado é de R$ 80 mil. No início do mês, pais, alunos e professores realizaram manifestação pressionando pela liberação do prédio. Os promotores, porém, argumentam que, saindo, não teriam onde trabalhar. Segundo a nota que distribuíram, só lhes restaria ‘‘a praça pública’’.
Segundo a nota, o MP ‘‘em nenhum momento’’ se opôs à destinação do prédio para a escola, não se trata de um tema ‘‘corporativo’’ mas de uma realidade ‘‘que não pode ser minimizada’’, e os promotores não podem se sentir ‘‘injustamente constrangidos’’. Na semana passada, a governadora em exercício Emilia Belinati (PTB) anunciou em Cascavel que havia sido firmado acordo entre Estado e MP para cessão imediata do espaço onde funcionava o Tribunal do Júri e outras salas do andar térreo, e em 60 dias liberação do restante do prédio, com a transferência dos promotores.
Ontem, a promotora Marlene Jordão disse que ‘‘até agora não recebemos qualquer comunicação a respeito, de qualquer parte’’. Frisando que ela e seus colegas compreendem a necessidade de maior espaço para a escola, e que sempre se dispuseram ‘‘ao entendimento civilizado’’, Marlene lembrou que coube a eles oferecer inicialmente o espaço do tribunal, por ter acesso independente, não interferindo nas atividades próprias do MP. Além das salas dos promotores, há processos ‘‘que não podem ficar em local onde circule grande número de pessoas, com atividades não relacionadas às do MP’’, alertou.Edson MazzettoA sala do Tribunal do Júri já está à disposição da escola; mudança de promotores ainda não tem prazoPaulo Pegoraro

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