MP recebe denúncia sobre internos do HU
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sexta-feira, 30 de junho de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O superintendente do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Francisco Eugênio de Souza, informou que está discutindo, junto aos funcionários e novos diretores da instituição, melhorias na assistência aos internos de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Nesta semana, o Ministério Público do Trabalho recebeu mais uma denúncia sobre excesso de carga-horária dos estudantes, acrescentada nos ofícios enviados aos órgãos competentes.
Conforme a Folha mostrou na semana passada, os cerca de 160 internos alunos de 5º e 6º anos de Medicina cumprem estágio de até 67 horas por semana no HU. Dependendo da área clínica, segundo estudantes ouvidos pela reportagem, a permanência no hospital pode chegar a 16 horas por dia. Os internos queixam-se de prejuízo à qualidade de vida, queda no rendimento acadêmico devido à falta de supervisão docente e tempo excessivo gasto com funções de enfermagem, em detrimento do aprendizado clínico.
Em recente reunião com internos, alguns docentes declararam que o HU depende do trabalho deles e que poderia até fechar caso os universitários descumprissem um antigo ''acordo de cavalheiros'', pelo qual aceitam perfazer uma carga-horária maior do que a constante no currículo oficial.
Para o superintendente, a posição é exagerada. ''A questão é que o HU tem toda uma estrutura que é organizada para ser um hospital de ensino. Temos uma série de serviços que poderiam não ser oferecidos, como ocorre em vários hospitais, mas que existem, em parte, em função dos alunos'', alegou, citando que os pacientes têm um acompanhamento maior que o habitual devido à presença de estudantes que precisam aprender como os quadros clínicos evoluem.
Sobre as funções de enfermagem assumidas pelos internos, ele disse considerá-las importantes dentro dos procedimentos médicos. ''Não concordo que os internos estejam trabalhando demais. Acho, sim, é que falta um pouco de supervisão, mais presença docente. É preciso também melhorar o relacionamento entre funcionários e internos, e estamos dialogando com estes objetivos'', afirmou.
Ele convidou o MP para conhecer o trabalho no hospital e sugeriu que os procuradores ouçam não apenas os atuais alunos, mas também ex-internos que hoje são profissionais bem-sucedidos.
O procurador do Trabalho Djailson Martins Rocha frisou que o importante é como o estágio está afetando os alunos. ''O que o MP irá avaliar é a questão trabalhista e a repercussão na qualidade da formação desses alunos. Recebemos mais uma denúncia com informações sobre o estágio considerado exploratório e encaminhamos um adendo aos ofícios já enviados ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e ao Ministério da Educação (MEC).''


