O Ministério Público do Paraná encaminhou ontem ofício ao ministro da Saúde, José Serra, pedindo informações que comprovem a qualidade da vacina tríplice viral, aplicada durante a campanha de combate ao sarampo na população jovem e adulta de nove municípios da Grande Curitiba. De acordo com o promotor Ivonei Sfoggia, da Promotoria de Defesa do Consumidor, o ministério terá de apresentar documentos dos exames que devem ser realizados no Instituto Nacional de Controle de Qualidade, antes de o medicamento ser distribuído.
Das secretarias da Saúde de Curitiba e do Estado, o MP também quer saber se a população foi informada anteriormente sobre os possíveis efeitos colaterais que poderiam desenvolver com o medicamento. O MP passou a investigar o trabalho de vacinação depois que a imprensa divulgou uma série de casos de pessoas que adoeceram depois de tomar a vacina. De acordo com o último levantamento da Secretaria Estadual da Saúde, do início da semana, o número de reações notificadas chega a 1.481.
O MS terá de informar ainda o percentual de reações que pode acontecer numa vacinação em massa. O dado será confrontado com o já apresentado pelas secretarias municipal e estadual da Saúde do Paraná, que afirmam que as reações adversas à vacina podem surgir em até 4% da população imunizada.
Ontem, o promotor encaminhou novos ofícios aos secretários da Saúde Luciano Ducci e Armando Raggio solicitando mais informações sobre a campanha, que teve início em outubro e ainda está sendo feita em alguns municípios. Eles já tinham sido notificados na semana passada e receberam cinco dias para responder às perguntas do MP. Ambas atenderam o pedido, mas o promotor considerou que os dados são insuficientes.
O promotor pede ainda a relação das pessoas que apresentaram reação e do tratamento que receberam. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, a vacina tríplice-viral usada na campanha foi importada pelo MS da Índia, onde é fabricada pelo laboratório Serum Institut of India Ltda. ‘‘Em seu país de origem o medicamento passa por um processo de qualidade, e quando chega ao Brasil fica entre 45 e 60 dias em testes, para depois ser distribuído’’, diz Maria Angélica Curia Cerveira, diretora do Centro de Epidemiologia.Arquivo FolhaPerigoCerca de 1.480 pessoas adoeceram depois de tomar a vacina contra sarampo, numa campanha desenvolvida pelas secretarias estadual e municipal da Saúde
O Ministério Público quer saber, do Ministério da Saúde, se o medicamento
enviado para vacinar a população contra o sarampo foi bem examinado
Adriana Ribeiro

mockup