O Ministério Público de Ibiporã está questionando resultado de exame laboratorial realizado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre lançamento de efluentes no rio Jacutinga por três empresas: Samae, Frigorífico Rainha da Paz e Wyni do Brasil Comércio de Couros.
O resultado gerou autuação nas empresas Samae e Frigorífico em razão do alto índice de resíduos químicos despejados no rio. Já a Wyni, apesar da constatação de teor ainda maior de poluentes, não foi autuada e seu despejo foi considerado dentro dos padrões. A denúncia de poluição no rio Jacutinga foi feita pela Folha em 16/08/2006, a partir de relatos de moradores que reclamam do desaparecimento de peixes e coloração negra da água nos últimos anos.
A promotora de Meio Ambiente de Ibiporã, Révia de Luna, considerou o laudo do IAP ''lacunoso''.''O laudo não explica porque é usado um índice de DQO (resíduos químicos) para uma empresa, e outro para as demais. Eu pedi ao IAP que esclareça oficialmente a dúvida'', disse à Folha.
Além disso, a promotora requisitou realização de nova coleta e teste de contraprova dos efluentes lançados pelas empresas. ''Nós contratamos uma especialista da UEL para esclarecer o assunto. Acredito que em 20 dias teremos um resultado sobre isso. Ou vamos fazer um Termo de Ajuste de Conduta com as empresas, para regularizar a situação, ou entraremos com ação civil pública'', garantiu. Révia de Luna explicou ainda que as três empresas se comprometeram a pagar os custos da realização da contraprova.
O químico responsável pelo laboratório do IAP, Roberto Gonçalves, explicou à Folha que os diferentes parâmetros utilizados na laudo se baseiam nas licenças ambientais de cada empresa. ''Quando é feito o licenciamento, o IAP aponta, de acordo com as normativas legais, o padrão aceitável para cada empreendimento. Nesse caso, o efluente da Wyni atende ao que foi licenciado, o que não ocorre com a Samae e o Frigorífico.''
Apesar disso, o especialista esclareceu que, quanto maior o índice de DQO, maior o teor de resíduos químicos. O laudo do IAP apontou DQO de 236 para a Samae, cujo licenciamente permite índice até 150; de 248 para para o Frigorífico, licenciada até 125; e de 302 para a Wyni, que tem permissão até 350.
Questionado sobre os fundamentos científicos dos licenciamentos, Roberto Gonçalves disse que se trata de uma ''bela discussão''.''Mas que foge à minha alçada'', completou.
O chefe do escritório regional do IAP em Londrina, Carlos Alberto Hirata, disse que este tipo de situação está sendo corrigida com a evolução cultural dos órgãos ambientais. ''Antes, os licenciamentos não convergiam para uma avaliação comum. Hoje em dia, com auxílio do MP, tem-se buscado diretrizes que levem em conta toda a bacia hidrográfica onde o corpo hídrico se insere.''
Representantes da Samae - empresa municipal de água e esgoto de Ibiporã - e do Frigorífico Rainha da Paz disseram à Folha que atenderão as recomendações dos órgãos ambientais. O representante da Wyni do Brasil não retornou a ligação.

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