Maringá - O Ministério Público de Maringá oficiou o comando da 9 Subdivisão Policial de Maringá (9 SDP) pedindo explicações sobre a origem do dinheiro utilizado nas reformas do prédio. As obras começaram em janeiro deste ano, como principal determinação do novo delegado-chefe, Rogério Antonio Lopes. O aumento da criminalidade, paralelo ao descontentamento de setores da comunidade que não foram consultados sobre a vinda do novo comando da Polícia Civil, suscitaram ainda mais a polêmica que começou com denúncias de que pessoas ligadas ao desmanche de veículos e jogo do bicho estariam financinado as reformas da 9 SDP.
Servidores que defendem a nova chefia afirmam, no entanto, que a promotoria está utilizando ''dois pesos e duas medidas'' para o caso, porque algumas obras, como do elevador do Fórum de Maringá, foram feitas com doações de empresários. ''A ausência de recursos do Estado em obras públicas coloca em dúvida a moralidade de autoridades que devem agir com imparcialidade para evitar interesses privados, e isso é essencial para órgãos da polícia e da Justiça'', disse um servidor da 9 SDP à Folha que pediu para não ser identificado com receio de represálias.
O promotor responsável pelo ofício, Edson Cemensati, disse ontem que de fato considera um absurdo a doação de particulares para determinados órgãos públicos. ''Eu mesmo não utilizo o elevador do Fórum'', afirmou o promotor. Cemensati disse que a promotoria é responsável pelo controle externo da atividade policial e que, por isso, oficiou o comando da 9 SDP. O promotor afirmou que quer saber se há dotação orçamentária para as obras, e caso contrário, quais os nomes dos empresários e a quantia de dinheiro doado para o comando da 9 SDP.
Segundo Cemensati, só depois da resposta - com prazo de cinco dias - irá analisar qual atitude pretende tomar sobre o fato. Além da promotoria, o comando da Polícia Civil também virou alvo de vereadores que pretendem na próxima terça-feira, formar uma comissão para conversar com a diretoria da Secretaria de Segurança Pública.
A Folha tentou ontem falar com o delegado-chefe, mas ele não quis atender a reportagem. No mês passado, quando a Folha publicou uma matéria sobre as reformas da 9 SDP, o delegado-chefe declarou que tinha o objetivo de transformar a sede da 9 SDP. ''Aquele que acha que delegacia tem que ser um lugar sujo com pessoas mal-encaradas, ou que acha que a segurança pública é dever e responsabilidade única e exclusivamente do Estado, é um retrógrado'', declarou na ocasião o delegado-chefe.

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