Um acordo envolvendo Ministério Público, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), prefeitura e Cohapar vai retirar 36 famílias que moram em casas e barracos existentes às margens do Arroio da Usina, em Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão). A iniciativa partiu do MP dentro de um trabalho visando a recuperação das margens do córrego que corta a cidade.

''Mamborê tem dois rios urbanos que estão assoreados e poluídos'', disse ontem a promotora Sílvia Tessari Freire. ''Para recuperarmos a mata ciliar, o primeiro passo e retirar a população ribeirinha.'' Na área mais critica, a Vila Operária, casas foram construídas praticamente dentro do arroio e todo o esgoto é jogado diretamente no rio.

A expectativa do MP é que a Cohapar conclua até o final do ano a construção de um conjunto para o desfavelamento da área. Um primeiro levantamento da Cohapar na área revelou que, apesar das casas estarem dentro de uma área de preservação permanente, 14 delas têm escrituras uma vez que o local faz parte de um loteamento do município.

''A prefeitura tem que estudar alguma forma de desapropriar esse imóveis'', disse a promotora. O prefeito de Mamborê, Armando Alves de Souza (PPB), afirmou ontem que o loteamento foi feito na época em que a legislação protegia apenas 5 metros das margens dos rios e não 30 metros como hoje. ''Vamos negociar e retirar todas essas famílias'', frisou o prefeito.

A saída das famílias das margens do arroio, no entanto, pode não ser tão simples, pois existe resistência à mudança. ''Estamos bem e não queremos sair daqui'', disse a dona de casa Calina Andrade, que mora há oito anos às margens do Arroio da Usina. Segundo ela, a prefeitura deveria ''manilhar'' o rio e não mexer com os moradores. ''Aqui a gente não paga nada.''

A promotora Sílvia Tessari Freire disse que nenhuma família será obrigada a se mudar para o conjunto da Cohapar, mas todos terão que deixar as margens do córrego. O chefe do escritório regional do IAP em Campo Mourão, Paulo Benedito Tanahaki, informou que análises feitas na água mostraram que o arroio esta contaminado com coliformes fecais.

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