MP quer resultado de sindicância
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) notificou ontem a Prefeitura de Curitiba para que encaminhe, nos próximos 30 dias, o resultado final do processo administrativo que apura as responsabilidades do funcionário público Juarez Lopes de Oliveira, conhecido como Juarez Taquinha, num suposto esquema de cobrança de propina para furar a fila de espera por lotes no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, o mais antigo da Capital.
A denúncia, que rendeu uma matéria em rede nacional, no programaFantástico da Rede Globo, culminou com o afastamento de Juarez Taquinha do cargo de chefe da Divisão de Cemitérios da Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba. Na matéria, divulgada em novembro do ano passado, o funcionário público foi flagrado pedindo R$ 4 mil a um suposto interessado em lote para ser colocado em primeiro lugar na fila. Na oportunidade, a fila de espera por uma vaga tinha 840 pessoas. A taxa de concessão era de R$ 56,60 por metro quadrado.
A Prefeitura de Curitiba abriu sindicância para investigar o caso e enviou o resultado para o MP ainda no ano passado. O resultado da sindicância está sendo matindo sob sigilo. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o processo administrativo deverá estar pronto antes do dia 15 de dezembro.
A Folha entrou em contato com Juarez Taquinha, que hoje trabalha na Divisão de Praças da Secretaria de Meio Ambiente de Curitiba. Ele disse apenas que é inocente e que na oportunidade estava fazendo um trabalho de investigação para descobrir uma quadrilha que roubava computadores e documentos do Serviço Funerário. ''Só quero que o processo administrativo acabe rapidamente e que eu consiga provar minha inocência. O prejuízo sofrido até agora foi enorme'', argumentou ele.
O MP ainda não sabe se irá oferecer denúncia contra o servidor. Em tese, ele poderia ser denunciado caso seja demonstrada que a acusação procede por corrupção passiva (solicitar vantagem indevida em razão da função pública). A pena para esse tipo de crime varia entre um e oito anos e pode ser convertida em prestação de serviços à comunidade.


