O promotor de Altônia (76 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Robertson de Azevedo, vai ingressar com uma ação contra as Centrais Elétricas de São Paulo (CESP) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos renováveis (Ibama) por danos causados à fauna do Rio Paraná. O fechamento em novembro do ano passado das comportas da usina de Porto Primavera (na divisa entre Paraná e São Paulo) para encher o reservatório prejudicou a piracema. O nível do rio ficou 5 metros abaixo do normal e sem as cheias de verão, os peixes não conseguiram se reproduzir.
Azevedo informou que vai exigir indenização dos prejuízos da CESP por ter fechado o reservatório durante a piracema e do Ibama, por ter autorizado o fechamento. Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá confirmam que nos últimos três anos não houve reprodução no Rio Paraná por causa da escassez de chuvas e da falta de monitoramento dos reservatórios da usina e alertam que muitas espécies podem se extinguir. Os pescadores também reclamam que o estoque de pesca diminuiu muito e que não conseguem mais sobreviver da atividade.
No início do ano, Azevedo ingressou com uma ação em Guaíra exigindo que a Usina de Primavera aumentasse a vazão do reservatório para reduzir o impacto ambiental no trecho livre do rio –240 quilômetros entre Porto Primavera e Guaíra. A Justiça de Guaíra negou a liminar. O promotor recorreu ao Tribunal Regional Federal em Porto Alegre, mas quando conseguiu a decisão favorável já havia passado o período de reprodução. ‘‘Não conseguimos impedir o dano, mas podemos exigir a reparação’’, disse Azevedo.

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