A Procuradoria Geral da República quer que os órgãos envolvidos na reabertura do canal entre Pontal do Paraná e Matinhos apresentem documentação que justifique a sua dragagem. O Ministério Público Federal deu prazo até a próxima terça-feira para que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Ibama e Polícia Federal apresentem a documentação solicitada. A procuradoria abriu um processo investigativo sobre o assunto.
A intenção da procuradora Antônia Lélia Neves Sanches Krueger, da procuradoria regional dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público, é saber se houve infração na lei ambiental ao executar a obra. Por enquanto, a procuradora está baseando a investigação em denúncias de entidades ambientalistas, divulgadas na Folha. Com base no que for apresentado pelos órgãos públicos, a procuradora pode abrir um processo administrativo ou entrar com uma ação civil pública.
No local onde o governo estadual está reabrindo o canal, que fica no meio da Mata Atlântica, vive o pássaro bicudinho-do-brejo, classificado pelo Ibama como espécie ameaçada de extinção. De acordo com o ambientalista José Álvaro Carneiro, membro do fórum e presidente da Liga Ambiental do Paraná, as medidas adotadas podem provocar graves alterações na região. No entanto, o chefe regional do IAP no Litoral, Wilmar Wolff Coradin, afirma que ‘‘o bicudinho resistiu às modificações feitas na construção dos canais, por isso não seriam as dragagens iriam causar dano ao animal’’, afirma.

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