MP quer controlar exageros da polícia
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Diego Ribeiro<BR> Equipe da Folha 
Curitiba O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público (MP-PR), fechou o cerco contra supostos exageros em ações policiais em Curitiba. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e a Polícia Militar estão comunicando o MP sobre cada confronto com morte entre policiais e suspeitos. Além disso, o Siate passou a atender os suspeitos feridos. Motivos para essas novas ações existem. Aumento de confrontos e grande número de armas em mãos erradas nas ruas da Capital são duas das justificativas.
Levantamento de conflitos divulgados pela imprensa feito pela FOLHA revela que em 2008 ocorreram pelo menos dois confrontos com mortes em Curitiba por mês, sem contar a Região Metropolitana. A Sesp não informa números oficiais. Segundo o comandante do Policiamento da Capital, coronel Jorge Costa Filho, todos os confrontos são divulgados na imprensa. O MP faz uma conta informal e não a divulga porque acredita que o número seja maior.
O coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batistti, garante que de 2005 a 2009 houve aumento no número de confrontos com mortes em Curitiba. O 13º Batalhão da PM, que abrange a Região Sul, é o campeão de confrontos com mortes. Apesar de ser o batalhão que atende o menor número de bairros (22), de acordo com a PM, a unidade administra a segurança de 699.927 pessoas.
Em seguida, aparecem o 12º e o 20º batalhões. As duas unidades atendem 27 e 31 bairros, respectivamente. As três unidades abrangem toda a Capital.
É uma preocupação da Secretaria. Os confrontos aumentaram realmente de alguns anos para cá. Não há dúvida também que isso tem relação com o uso de drogas, afirma o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.
Batistti afirma que há fatores ligados a circunstâncias diversas, entre elas o aumento do crime contra o patrimônio. Segundo estatística da Sesp, em 2007, na região de Curitiba, foram registrados 61.488 crimes consumados contra o patrimônio e em 2008 foram 62.348. De acordo com o procurador, há ainda alguns policiais que, ao serem chamados para uma ocorrência, chegam prontos para o embate.
Se analisar, os conflitos ocorrem principalmente na periferia e quase todos nas divisas do município. Na prática é uma questão social. Na região do 13º Batalhão houve uma explosão populacional. Houve muita migração de outros Estados e do interior para essa região, avalia o coronel.
Os conflitos também estariam, pela análise do coronel, relacionados à chegada dos policiais enquanto os assaltos estão ocorrendo. Assaltos que são cada vez mais praticados com armamento pesado, outro elemento que eleva os números da violência, ao lado do consumo de drogas. Estamos nos preparando para defender a sociedade e, se está aumentando o número de confrontos, é também porque está aumentando o número de marginais armados, argumenta Costa.
Um dos últimos episódios ocorreu dia 11 de setembro, quando cinco jovens suspeitos de terem roubado um carro morreram em um confronto com a PM, no bairro Alto da Glória. Eles deram 24 tiros no meu pessoal, só que não acertaram ninguém, comenta Costa.
No último final de semana, três confrontos ocorreram na região da Capital. Um deles, em Fazenda Rio Grande (RMC), onde um suspeito de assaltar um ônibus morreu quando teria reagido a uma abordagem policial. No bairro Uberada, dois homens morreram em conflito com uma equipe do 13º Batalhão. Eles estariam em um veículo roubado e teriam atirado antes. O terceiro embate, com outra equipe do 13º, um trio suspeito de cometer assalto a um mercado no bairro Novo Mundo, trocou tiros com os policiais e morreu. O Gaeco também investiga estes casos.


