Curitiba O Ministério Público (MP) de Ponta Grossa quer engrossar o apoio na briga pela reabertura do curso de medicina na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Ontem, uma audiência promovida pela Promotoria de Saúde Pública reuniu representantes de cerca de 30 entidades da sociedade civil organizada, que deverão integrar a ação civil pública proposta pelo MP contra o fechamento do curso.
O governador Roberto Requião (PMDB) baixou decreto extinguindo o curso no dia 14 de maio. Uma semana depois, o promotor Fuad Faraj ingressou com a ação civil pública. O Juízo de Ponta Grossa concedeu liminar determinando a reabertura do curso, mas a medida foi suspensa pelo Tribunal de Justiça (TJ). A Coordenadoria de Recursos Cíveis do MP não recorreu da decisão.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) já confirmou sua adesão à ação judicial. De acordo com o promotor, as entidades ficaram de analisar a proposta e aquelas que quiserem integrar a ação terão até quarta-feira da semana que vem para encaminhar à OAB as procurações e cópias dos estatutos. A intenção é ingressar com um mandado de segurança contra a decisão do TJ na tentativa de ''ressuscitar'' a liminar suspensa.
Faraj destacou que a preocupação não está apenas em reabrir o curso de medicina, mas de reaver os investimentos que iriam beneficiar a saúde pública de Ponta Grossa e região. Segundo ele, estavam previstos no orçamento do governo investimentos de R$ 6 milhões para construção de um hospital universitário no município.
O promotor disse não entender que economia o governo está fazendo ao fechar o curso, já que para manter apenas uma das instituições que decidiu estadualizar, a Faculdades Luiz Meneguel, em Bandeirantes, terá que desembolsar cerca de R$ 6 milhões por ano. Segundo Faraj, a manutenção do curso de medicina iria custar R$ 2 milhões/ano.
O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Aldair Rizzi, contradiz esses números. Segundo ele, para 2003 estava prevista uma verba de R$ 2,9 milhões para pagamento de pessoal e custeio do curso da UEPG mais R$ 6,2 milhões para investimentos no Hospital Universitário (HU). ''Uma faculdade de medicina não pode ficar sem o HU. De 2002 até 2007 estava previsto um gasto de quase R$ 78 milhões com o curso, incluíndo a manutenção e a construção do hospital. E mandar os alunos para a UEL, UEM e Unioste vai custar apenas R$ 1 milhão'', explicou. Quanto à faculdade de Bandeirantes, Rizzi diz que o gasto anual prevista é de cerca de R$ 5 milhões.

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