MP processa tenente bombeiro
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - O Ministério Público protocolou ontem quatro ações criminais contra o ex-comandante do Corpo de Bombeiros de Maringá, tenente coronel Wilson Afonso Enes, atual comandante do grupamento de Cascavel. Enes é acusado por 54 vezes pelo crime de falsidade ideológica entre janeiro de 1998 a dezembro de 2000, período em que esteve a frente do comando de Maringá.
Segundo o promotor José Aparecido da Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, o comandante fazia declarações falsas sobre o uso do Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom). Durante as investigações, a promotoria constatou o uso indevido de mais de R$ 12,6 mil.
Em uma das ações, o comandante autorizou a emissão de empenhos e de notas de pagamentos para a hospedagem de três pessoas como oficiais do Estado Maior. Na segunda ação criminal, o MP denuncia a emissão de 35 empenhos e pagamentos de despesas com passagens áreas e hospedagens em hotéis para viagens em Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu. A justificativa do comandante para as viagens sempre recaia em reuniões do Comando Geral do CB.
Para constatar a falsidade nas declarações das 35 ordens de pagamentos, o MP pediu uma relação das reuniões de fato realizadas pelo Comando Geral. As viagens feitas com o dinheiro do Funrebom não coincidiram com nenhuma data oficial de reuniões informadas pelo Comando Geral. As 35 ordens de pagamentos consumiram R$ 6.840,40.
Na terceira ação criminal, a promotoria denunciou 15 emissões de pagamentos para despesas de materiais e serviços. As declarações feitas pelo comandante para justificarem as despesas também foram consideradas falsas pelo MP. Neste caso, os 15 pagamentos somaram um total de R$ 4.451,02.
A quarta ação denuncia o pagamento de R$ 1 mil para despesa de uma viagem de estudo feita por um major para Maceió (AL). Segundo a promotoria, o major não reconheceu sua assinatura na justificativa de despesa, mas a autorização foi dada pelo comandante Enes.
Os recursos do Funrebom são recolhidos pela prefeitura por meio da cobrança de um tributo no carnê do IPTU. O fim é específico para o reequipamento dos Bombeiros. A promotoria também investiga o uso indevido de outros valores do Funrebom no período em que o comandante esteve em Maringá, mas ainda não divulgou o teor das denúncias.
A Folha tentou localizar o comandante em sua casa e por celular, mas não conseguiu retorno. Enes trabalha em Cascavel, mas mantém uma residência em Maringá.


