Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal devem propor ao Ministério Público do Paraná que investigue denúncias de torturas na Delegacia de Furtos e Roubos, em Curitiba. Na semana passada, a comissão ouviu relatos de presos que teriam sofrido espancamentos e choques elétricos de policiais.
Os integrantes da comissão apresentam hoje à tarde relatório final ao ministro da Justiça, José Gregori, para pedir providências sobre as precárias condições carcerárias no Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Pernambuco.
O trabalho dos deputados se baseou em vistorias feitas nas duas últimas semanas em presídios e delegacias. No Estado, as inspeções se concentraram na Delegacia de Furtos e Roubos, em Curitiba, e na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana da Capital.
O deputado paranaense Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), defendeu que o Ministério Público apure quem está por trás das supostas sessões de tortura na DFR. ‘‘Dos dois locais que visitamos no Estado, a delegacia apresentou o quadro mais grave’’, disse.
Sobre a PCE, o relatório da comissão critica os métodos de isolamento dos presos. ‘‘As celas não têm iluminação e são mal ventiladas’’, declarou Rosinha. Durante a vistoria, os deputados encontraram presos que estavam há cinco anos sem ver a luz do sol. De acordo com a Secretaria de Justiça, eles estariam nestas condições por vontade própria.
Em todas as cadeias que a comissão esteve, Rosinha contou que uma situação unânime é a superlotação. O relatório vai sugerir ao governo medidas para desafogar as celas. ‘‘Trinta por cento dos presos poderiam estar em liberdade, se tivessem suas penas revisadas’’, acredita Rosinha. Ele é favorável que se realize um mutirão, envolvendo estudantes de Direito e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para rever os processos.

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