MP pode investigar torturas
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terça-feira, 12 de setembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal devem propor ao Ministério Público do Paraná que investigue denúncias de torturas na Delegacia de Furtos e Roubos, em Curitiba. Na semana passada, a comissão ouviu relatos de presos que teriam sofrido espancamentos e choques elétricos de policiais.
Os integrantes da comissão apresentam hoje à tarde relatório final ao ministro da Justiça, José Gregori, para pedir providências sobre as precárias condições carcerárias no Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Pernambuco.
O trabalho dos deputados se baseou em vistorias feitas nas duas últimas semanas em presídios e delegacias. No Estado, as inspeções se concentraram na Delegacia de Furtos e Roubos, em Curitiba, e na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana da Capital.
O deputado paranaense Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), defendeu que o Ministério Público apure quem está por trás das supostas sessões de tortura na DFR. Dos dois locais que visitamos no Estado, a delegacia apresentou o quadro mais grave, disse.
Sobre a PCE, o relatório da comissão critica os métodos de isolamento dos presos. As celas não têm iluminação e são mal ventiladas, declarou Rosinha. Durante a vistoria, os deputados encontraram presos que estavam há cinco anos sem ver a luz do sol. De acordo com a Secretaria de Justiça, eles estariam nestas condições por vontade própria.
Em todas as cadeias que a comissão esteve, Rosinha contou que uma situação unânime é a superlotação. O relatório vai sugerir ao governo medidas para desafogar as celas. Trinta por cento dos presos poderiam estar em liberdade, se tivessem suas penas revisadas, acredita Rosinha. Ele é favorável que se realize um mutirão, envolvendo estudantes de Direito e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para rever os processos.


