MP pede prorrogação de salário de policial
Dimitri do Valle
De Curitiba
O Ministério Público Federal enviou um pedido à Secretaria de Estado da Justiça para prorrogar, por mais 90 dias, o salário do soldado da PM Antônio Cláudio Cardoso de Meira, 36 anos. Em junho deste ano, o policial entregou à Folha fitas de vídeo que exibiam a PM promovendo desocupações de fazendas na região noroeste do Estado em plena madrugada. Mandados de reintegração de posse só podem ser cumpridos durante o dia.
Meira, a mulher e os três filhos estão sob assistência do Programa de Proteção à Testemunhas, do Ministério da Justiça, que encaminhou a solicitação ao Ministério Público. A Secretaria da Justiça tem prazo até amanhã para confirmar ou não a prorrogação dos vencimentos do soldado. O salário de Meira abriu uma polêmica nos bastidores do comando da PM paranaense, que é contrário a concessão do vencimento.
O procurador da República, Mário Ghizzi, intercedeu junto ao governador Jaime Lerner para que os vencimentos de Meira fossem pagos nos primeiros três meses em que ele ficou escondido com a família. Entrevistado pela Folha em julho, Meira alegou que corria risco de vida após a veiculação das denúncias. Ele relatou que agentes do serviço reservado da PM (P2) o procuraram em sua casa após a veiculação das denúncias. Familiares teriam ouvido dos policiais que o soldado seria caçado, caso não aparecesse. Ele confirmou que as fitas eram editadas com o objetivo de convencer o governo federal de que as desocupações eram realizadas durante o dia e que as denúncias feitas pelos sem-terra eram infundadas.





