Ibiporã O Ministério Público (MP) de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) pediu a prisão preventiva do delegado José Antonio Zuba de Oliva e do escrivão Otacílio Sales Grube, que respondem a um processo pelo crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público). Eles e mais três policiais rodoviários acusados de envolvimento no caso já foram afastados de suas funções. De acordo com o MP, a defesa estaria atrasando de propósito a entrega das alegações finais do processo.
A promotoria alega na documentação que a defesa estaria ainda interessada em se beneficiar de uma eventual condenação judicial. ''Se antes da condenação, os réus vêm tumultuando o processo, é óbvio que, em sendo condenados, furtar-se-ão das consequências legais'', prevê o documento, protocolado na sexta-feira. No despacho, o MP justifica o pedido de preventiva em razão da demora na entrega dos autos de defesa. ''Os réus ainda não apresentaram suas alegações finais, apesar das várias intimações que lhe foram dirigidas por este juízo, tumultuando o processo e retardando o trabalho da Justiça'', prossegue o texto. A Folha apurou que os advogados dos outros policiais envolvidos no caso já entregaram toda a papelada pedida pela Justiça.
O juiz da Vara Criminal de Ibiporã, Sérgio Aziz Neme, deu um prazo de três dias, a partir da notificação, para a defesa entregar a parte final do processo. Zuba, Grube e os outros três policiais foram presos pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em 22 de dezembro de 2003. A estudante universitária Sandra Cristina Rosa e o marido dela, suspeitos de participar de um esquema de receptação de tratores roubados, acusaram os policiais de cobrar propina para livrá-los do flagrante. O pagamento seria um Passat alemão da vítima, avaliado em cerca de R$ 15 mil.
O advogado de Zuba e Grube, Antonio Carlos Andrade Vianna, disse que não apresentará a defesa enquanto o juiz não liberar as fitas de áudio e vídeo gravadas pelos promotores da PIC. Nelas, segundo Vianna, os promotores estariam coagindo as testemunhas a ''entregar'' os acusados. ''Não vou apresentar defesa coisa nenhuma. Eles coagiram as testemunhas sob pena de irem pra cadeia. Isso é um absurdo'', acusou o advogado. ''E estou pouco me lixando para esse prazo que o juiz determinou'', polemizou.

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