MP pede prisão de um delegado e três investigadores
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Ministério Público (MP) pediu a prisão preventiva de um delegado e três investigadores acusados de torturarem o mecânico Carlos Ribeiro de Moraes no dia 27 de janeiro, na Delegacia de Furtos e Roubos, em Curitiba. O MP pediu ainda a abertura de ação criminal contra o delegado Hormínio de Paula Lima Neto e os investigadores de polícia Paulo Roberto Serafim, conhecido como Paulo Paulada, Walmir do Carmo Silva e Emir da Silveira. Até agora, a Justiça não se manifestou a respeito do pedido.
As investigações foram conduzidas pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), após denúncias de Moraes. Segundo o mecânico, os policiais o teriam abordado enquanto ele pilotova sua moto no Jardim Campo Santo, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). Apesar da documentação da moto estar regular, ele foi algemado e levado à Delegacia de Furtos e Roubos.
Segundo Moraes, os policiais queriam forçá-lo a confessar a participação em uma quadrilha envolvida com roubo de cargas. De acordo com a denúncia, ele teria apanhado com uma ripa, além de ser torturado no pau-de-arara o preso é amarrado pelos pés e mãos a uma haste, e forçado a ficar de ponta-cabeça durante a tortura. Pelo relatório da PIC, o mecânico foi liberado após sete horas de cativeiro, e foi ameaçado pelos policiais de novas torturas se denunciasse o caso.
No dia seguinte à denúncia de Moraes, o delegado-chefe da Furtos e Roubos, Gerson Machado, afirmou desconhecer a tortura.
A PIC investiga também outra denúncia de tortura nas dependência da Delegacia de Furtos e Roubos. Segundo o promotor Dicesar Krespsky, após a veiculação do caso de tortura, outra pessoa afirmou ter sido torturada em dezembro do ano passado. ''Vamos averiguar a denúncia, que pode resultar em outra ação penal'', comentou.
Investigações da Corregedoria-Geral em fevereiro acabaram comprovando os indícios de tortura. O delegado e os três investigadores foram então relocados para funções administrativas no Grupo Auxiliar de Recursos Humanos (Garh) da Polícia Civil, esperando o fim das diligências da corregedoria. Caso a Justiça acate a denúncia do MP contra os policiais, eles podem ser condenados a reclusão por até oito anos.


