O promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Luís César Soares Boldrin Junior, pediu ontem a prisão preventiva de quatro policiais militares supostamente envolvidos no assassinato do jovem Raphael Bezerra da Silva, filho do ex-jogador do Londrina Esporte Clube (LEC) José Carlos da Silva, o Zequinha. A vítima foi baleada em novembro de 2004 e morreu depois de 41 dias internada no Hospital Universitário (HU).
  Três policiais suspeitos do crime foram interrogados ontem pelo juiz João Luiz Clève Machado. Os depoimentos tiveram o acompanhamento dos advogados. Zequinha e familiares de Raphael levaram uma faixa de protesto ao Fórum. Entidades de defesa dos direitos humanos e o movimento negro encaminharam ofícios cobrando justiça.
  O promotor Boldrin explicou que o pedido de prisão foi baseado no fato do crime ser considerado hediondo e ter gerado repercussão na cidade. ‘‘Os policiais alteraram o local dos fatos e há a possibilidade de que eles tentem atrapalhar a fase de instrução do processo’’, declarou.
  De acordo com Machado, o pedido será analisado até segunda-feira. ‘‘Na próxima fase, as partes apresentam defesa prévia e depois será decidido se os acusados vão a júri popular’’, explicou. Essa decisão, segundo ele, deverá ser tomada até o final do ano.
  Para Zequinha, o pedido de prisão deveria ter sido feito ‘‘há muito tempo.’’ ‘‘Tomara que esses assassinos fardados percam as fardas e sejam colocados dentro de uma penitenciária’’, cobrou.
  O advogado Marcelo Motta, responsável pela defesa dos soldados Edney Ronaldo Gomes e Rangel Barbosa da Cunha, defendeu a tese de que Raphael teria disparado primeiro contra os policiais. ‘‘A versão dos policiais, que é a realidade, é que a partir do momento que a agressão foi revidada houve a tentativa de socorrer a vítima. Não há como portar-se de forma diferente num bairro violento como esse’’, argumentou. A ocorrência foi registrada no Conjunto Hernani Moura Lima (Zona Leste). A dupla é acusada de homicídio qualificado e fraude processual.
  Já a acusação contra os policiais André Luiz de Almeida Figueiredo e Sérgio Fontanetti é apenas de fraude processual. A hipótese da prisão preventiva ser decretada pode tornar o processo mais ágil, já que os casos de reú preso têm prioridade.

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