O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia criminal contra três empresários acusados de fabricar e comercializar medicamentos falsificados. A ação apresentada ontem na Justiça Federal, em Curitiba, pede a prisão dos envolvidos, que em 1997 repassaram ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) 24 mil comprimidos do medicamento Androcur. O remédio é usado por pacientes em tratamento de câncer de próstata.
O medicamento levou à morte de de três pessoas, além de causar o agravamento da doenças em outros 87 pacientes. Antônio Barea, responsável pela Distribuidora de Medicamentos Abifarma Ltda, de Curitiba, David Teixeira e Alcioni Constantini Barreto, proprietário e administrador, respectivamente, de farmácias nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, negam que tenham qualquer responsabilidade no caso.
Borea se defende alegando ter sido enganado. Segundo ele, a Abifarma é uma empresa muito antiga, que nunca teve problemas como esse. ‘‘Naquela época, não se tinha nenhum controle sobre os medicamentos. Não tínhamos como saber se eram falsos ou não.’’ Nota encaminha pela Abifarma afirma ‘‘que todos os medicamentos comercializados foram adquiridos legalmente’’.
Teixeira alega que distribuidores de medicamentos do Brasil todo foram enganados pelos falsificadores da farmácia Veado de Ouro. ‘‘Eu e tantos outros inocentes é que estamos pagando por isso’’, afirma. De acordo com Teixeira, alguns inocentes chegaram até a serem presos. ‘‘Fiquei 197 dias preso, assim como outros empresários, respondendo por um crime horroroso que não cometi.’’
O inquérito, encaminhado ao Ministério Público há uma semana, acusa Teixeira e Barreto de entregarem os medicamentos falsificados à Abifarma, que na época cumpria contrato obtido em licitação pública, fornecendo o lote do Androcur ao Hospital de Clínicas. O procurador Sérgio Cruz Arenhart sustenta que todos tinham pleno conhecimento de que se tratava de medicamento falsificado.
A Polícia Federal apurou que a falsificação acontecia em Santo André (SP) e que os remédios não continham o componente terapêutico ‘‘acetato de ciproterona’’, utilizado para o tratamento do câncer de próstata. A morte dos três pacientes também é objeto de ação penal, por homicídio doloso, que corre na Justiça Estadual.

mockup