O promotor da Vara de Execuções Penais (VEP), Francisco Soares Dias Filho, deu parecer favorável à interdição parcial da carceragem do 2º Distrito Policial de Londrina (DP), que ontem contava com 207 detentos, em um espaço construído para abrigar 68 pessoas. Sua decisão foi baseada no relatório entregue na semana passada por oficiais de justiça que realizaram uma vistoria nas carceragens do 2º e 4º DPs, por determinação do juiz-corregedor, Roberto do Valle. O juiz deverá definir no início da próxima semana se acata o parecer do Ministério Público.
Soares explicou que sua decisão não foi baseada apenas no relatório, mas também no conhecimento que tem da situação da carceragem que, além de estar superlotada, apresenta problemas hidráulicos e de higiene. Ele esclareceu que o maior problema do 2º DP é que não existe uma delimitação do número de presos a serem colocados na carceragem. ''No início de junho, haviam mais de 200 e conseguimos reduzir para cerca de 90 presos. Em pouco mais de 60 dias voltou à quantidade antiga'', lamentou o promotor, que indeferiu o pedido de interdição no 4º DP.
Em seu parecer, o promotor sugeriu como um limite máximo de presos a capacidade técnica, que ele considera ser de 62 presos mais 50% um máximo de 93 detentos, cerca de seis por cela. ''A Constituição Federal assegura a integridade física e moral dos presos, algo que não está ocorrendo'', ressaltou.
Para desafogar a carceragem, Soares recomendou que os presos que estejam respondendo crimes em outras cidades sejam transferidos, aqueles que já foram condenados sejam encaminhados a uma penitenciária e o restante, levado para a Casa de Custódia de Londrina (CCL). Segundo ele, a CCL tem melhor estrutura física e pessoal para receber o excedente.
O diretor da CCL, major Edison Tomaz, afirmou que não há possibilidade de receber mais presos, pois em cada cela há um excedente de dois detentos. Ontem, a CCL contava com 432 presos, em um espaço destinado a 288. ''Não tem onde por mais colchões. Dois presos já dormem no chão'', concluiu.

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