MP pede interdição de áreas contaminadas
Promotor teme que consumo de produtos irrigados por água que recebe esgoto da Sanepar cause epidemia sem precedentes
César AugustoÁGUA PERIGOSACórrego Sem Dúvida, na zona norte de Londrina: suspeita de contaminação por bactéria que pode levar à morte
Lino Ramos
De Londrina
O promotor de Defesa do Meio Ambiente, Sérgio Correa de Siqueira, solicitou na manhã de ontem que a Defesa Sanitária Estadual e a Secretaria de Saúde de Londrina interditem todas as propriedades que utilizam água do Ribeirão Jacutinga e do Córrego Sem Dúvida, na região do Conjunto Aquiles Sthenguel, zona norte da cidade. O motivo da interdição é o vazamento de esgoto da estação elevatória da Sanepar no Córrego Sem Dúvida, que deságua no Ribeirão Jacutinga. Constatei que todas as granjas daquela região usam água do Jacutinga para irrigar verduras e outros produtos agrícolas e dar água para animais que são vendidos para consumo humano. Isto pode causar uma epidemia de doenças sem precedente na história da cidade, afirmou o promotor.
Ele suspeita que o córrego e o ribeirão, naquela região, estejam contaminados por uma cepa da bactéria Escherichia coli, que pode provocar hemorragia nos rins do homem e levá-lo à morte. Hoje, técnicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) entregarão os laudos das análises das águas do Córrego Sem Dúvida e do Ribeirão Jacutinga ao promotor. Além da bactéria Escherichia coli, a UEL analisou a possível presença da bactéria Shigella (que provoca diarréia), Salmonella e o vírus da hepatite.
Segundo Sérgio Siqueira, nos dias 13 e 17 do mês passado, houve dois vazamentos do esgoto da estação elevatória da Sanepar para o córrego. Na quarta-feira ocorreu outro vazamento obrigando-o a interditar as propriedades, inclusive um pesque-pague. Uma análise do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) revelou a presença de 160 milhões de coliformes fecais por 100 mililitros de água, quando o tolerado é de 1.000 para 100 ml.
O promotor afirma que passou o último feriado estudando as consequências da grande presença de coliformes fecais no Sem Dúvida e descobriu que essa situação favorece o desenvolvimento de bactérias.
Ele também vai entrar em contato com o Ministério Público de Ibiporã, porque Jacutinga abastece aquela cidade. A população correria um risco menor se o tratamento for bem feito, acredita o promotor. Sérgio Siqueira lembra que nos Estados Unidos ocorreram contaminações com a Escherichia na proporção de 500 coliformes fecais para 100 ml de água.
Para o gerente de unidade de operação da Sanepar em Londrina, Nelson Okano, os acidentes ocorridos com a estação elevatória do Sem Dúvida estão superados. O primeiro acidente foi provocado pela falta de energia e o segundo pelo entupimento das bombas da unidade. A Sanepar não está jogando esgoto no rio. Houve uma contaminação mas o ribeirão se autodepura e a poluição desaparece sozinha. Todo acidente é grave mas depois de alguns metros, alguns quilômetros, se torna inócuo, garante.
Okano cita o exemplo dos emissários marítimos onde grandes quantidades de esgoto são lançadas na corrente marítima. O gerente da Sanepar reconhece a preocupação com a estação de tratamento dágua de Ibiporã e disse que a estação elevatória foi construída naquele local para evitar o lançamento de esgoto no ribeirão. (Colaborou Paulo Ubiratan)





