MP pede interdição da Cadeia de Pinhais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Alegando superlotação e condições insalubres e subumanas, o Ministério Público (MP) estadual ajuizou ontem ação civil pública, pedindo a interdição da carceragem da Delegacia de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e a transferência dos presos para outras unidades. Ontem, 61 presos maiores de idade e oito adolescentes dividiam as quatro celas que, segundo o delegado titular, Gerson Machado, têm capacidade para 16 pessoas.
O MP argumenta na ação que não há banheiro funcionando, o que obrigaria os detentos a usar garrafas e sacolas plásticas para suas necessidades fisiológicas. ''O ambiente torna-se insalubre e os presos correm sério risco de contraírem sérias doenças de pele e nas vias respiratórias'', descreve a ação. O MP questiona desvio de função, uma vez que investigadores cumprem o papel de carcereiros.
Machado disse que, até o final da tarde de ontem, não havia sido comunicado, oficialmente, da ação do MP. O delegado, no entanto, não esconde as deficiências da carceragem. Ele admitiu que há superlotação e que as instalações são precárias. ''Eu entendo que o Ministério Público está cumprindo seu papel, mas não adianta interditar a cadeia sem apontar uma solução para abrigar os presos'', ponderou.
O delegado defende a aplicação de penas alternativas para resolver o problema das delegacias e acredita que a construção de 11 novos presídios e a criação de mais duas varas de Execução Penal irão ajudar a agilizar a transferência dos presos condenados.


