O Ministério Público Federal encaminhará hoje à Polícia Federal um pedido de abertura de inquérito para investigar supostas irregularidades praticadas pelos vendedores ambulantes instalados nos camelódromos do centro de Londrina. Ontem expirou o prazo dado pelo procurador-regional da República, Mário Ferreira Leite, para que os camêlos agilizassem sua situação legal quanto a emissão de nota fiscal e a venda de produtos com origem comprovada. Em princípio, o procedimento não incluirá uma fiscalização da Polícia e Receita Federal. Nos dois camelódromos da cidade, várias barracas permaneceram ontem fechadas, já que os seus propritários temiam por uma blitz policial.
Leite não prorrogou o prazo dado aos camelôs, como pleiteava a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e os representantes dos ambulantes, mas resolveu amenizar a situação. Os representantes das duas associações de camelôs, bem como os próprios ambulantes, serão chamados a prestar depoimentos sobre a venda de produtos irregulares, falsificados, sem origem comprovadas, além de medicamentos. Serão solicitadas também as notas fiscais daqueles que já contam com a sua situação regularizadas. ''Vamos acompanhar a situação independente de se eles estiverem ou não em um novo local'', advertiu o procurador.
Leite reconheceu que levou em consideração a mobilização dos 314 camelôs quanto a sua transferência para um novo camelódromo, mas advertiu que não basta apenas a mudança de espaço, se não houver uma conscientização quanto a atuação desses novos comerciantes. Conforme o procurador, o inquérito terá prazo inicial de 30 dias, mas prorrogáveis o que coincidirá com a saída dos camelôs das avenidas Leste/Oeste e São Paulo para o novo espaço situado na esquina das ruas Sergipe Sergipe e Mato Grosso.
O presidente da Ong Canaã, Rogério Gonsales, disse que os 222 camelôs instalados na Avenida São Paulo, assim como os 94 da Leste/Oeste, já contam com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). ''A única diferença é que não conseguimos ainda o alvará da prefeitura para começar a emitir notas'', destaca Gonsales.
Embora não tenha sido recebido esta semana pelo procurador-regional da República, o presidente da CMTU, Wilson Sella, comemorou a decisão do Ministério Público Federal. Havia um temor, tanto da CMTU quanto da representação dos camelôs de que uma ação repressiva por parte da Polícia Federal pudesse prejudicar o acerto para a transferência dos ambulantes para o shopping popular, que será chamado de camelódromo.
O presidente da CMTU disse que entrará num esforço para mobilizar recursos para iniciar já na próxima segunda-feira as obras de reformas do novo camelódromo. Para adaptar o local serão necessários investimentos na ordem de R$ 200 mil que, segundo Sella, serão custeados pelas empresas âncoras que se instalarão no empreendimento.

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