MP pára construção da nova igreja de Guarapuava
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de julho de 2001
Cláudia Carneiro De Guarapuava Especial para a Folha 
A construção de uma nova catedral em Guarapuava tem sido motivo de muita discussão. Apesar de prevista desde 1996, somente nas últimas semanas com o início dos trabalhos de fundação, historiadores, professores, universitários e moradores mais antigos decidiram questionar os danos que a obra poderá causar à estrutura da igreja velha. O novo prédio está sendo erguido atrás do antigo, construído no século XIX. A questão está nas mãos do Ministério Público, que solicitou a paralisação da obra até a emissão de um parecer, que deve sair no início de agosto.
Considerada uma das últimas construções barrocas do Brasil Colônia no Paraná, a catedral de Guarapuava nasceu de um oratório erguido pelo padre Francisco das Chagas Lima com a ajuda de índios e de dois escravos libertos, em 1819, 11 meses antes da criação da freguesia de Nossa Senhora de Belém. A igreja é o marco zero do município, ponto ao redor do qual deu-se o povoamento e cresceu a cidade, explica a historiadora Gracita Gruber Marcondes. Não se pode impedir o novo, mas que ele venha com a preservação do antigo, avalia.
A historiadora, que é membro do Conselho do Patrimônio Histórico Municipal, lembra que os efeitos da obra foram questionados pela entidade. Na época, o pároco e os responsáveis técnicos nos convenceram que a estrutura não seria comprometida, afirma, mostrando-se receosa em especial pela pequena distância que separa o novo prédio do antigo: dois metros.
Os professores e estudantes do curso de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste lançaram um manifesto, falando do risco que as obras da nova igreja representariam e da descaracterização histórica da catedral. O Ministério Público solicitou ao Departamento de História uma avaliação sobre a importância da catedral, que será anexado ao inquérito civil público instaurado para a proteção do patrimônio histórico, turístico e paisagístico. O promotor Diego Fernandes Dourado informou ter até o próximo dia 3 para emitir um posicionamento. Até lá, um acordo entre o MP e a comissão de construção mantém a obra parada.


